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domingo, 10 de setembro de 2017

PEGA  LADRÕES!!!

*Carlos Roberto de Souza


        Milhões, milhões e mais milhões, as cifras não param de acumular. Elas chegam munidas de gravações oficiais (e ilícitas), propinas e delações premiadas de bacanas bancando o “X-9”.
        As catástrofes naturais parecem não fazer jus às tragédias anunciadas mais do que a nossa infame Política. Dinheiro na cueca é coisa do passado, a onda agora é “apartamento caixa-forte”.
        Impunidade e Justiça andam de mãos dadas para sempre até que a nossa vã Aposentadoria os separe. 
Quem celebrou esse matrimônio sinistro que atire a primeira cédula!
        E o voto? Ah, o voto, tão carente, tão insignificante e, ainda por cima, vagueia balindo nos colégios eleitorais feito um bode expiatório, enquanto no Planalto Central, os lobos uivam nos corredores iluminados do Senado e do Congresso.
        Quanta sujeira travestida de paletós caros e gravatas importadas! Se gritar pega ladrões é gol...
        É Cazuza, a nossa piscina está cheia de ratos e o Brasil não corresponde aos fatos, e para piorar: tudo não para.
        A “República das Bananas”, como citou o escritor americano William Sydney Porter, corrobora com a nossa pífia Independência proclamada (?) por um príncipe diarréico sobre o lombo de uma mula!
        O Brasil tem solução? Sinceramente eu não sei. Quem sabe se o “alugássemos” como já se expressava Raul Seixas? Ou, simplesmente, saíssemos às ruas com lápis e papel na mão vociferando: “Cadê o Dinheiro que tava Aqui?”.

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*Poeta e editor e membro da Academia Machadense de Letras.

Foto: http://www.soqueriaentender.com.br/pega-pegapega-ladrao/



terça-feira, 24 de junho de 2014

A REVOLTA DOS CÃES



A REVOLTA DOS CÃES

Carlos Roberto de Souza



Moro em uma rua cujo nome é “Andorinhas”. Até aí nada demais. Entretanto, o problema não são as andorinhas (que nem dão suas caras por aqui), e sim uma manifestação canina que vem crescendo a cada dia.

Eles latem com todos os pulmões, dividem as pulgas e não os pães, correm atrás de desavisados e mordem seus calcanhares só para “aporrinhar”. E para fechar a fatura: defecam em quase toda a extensão. Creio que nem todas as andorinhas reunidas in loco seriam capazes de produzir tanto dejeto!

Alguns deles foram gentilmente trazidos pelos moradores, porém os próprios jogaram a tolha no mesmo dia, ou seja, deixaram os caninos à mercê do seu instinto de sobrevivência. É mole!?

Os cães de hoje são espertos, e já formaram até sindicatos.

Você duvida? Então chute algum pela frente ou jogue uma pedra para ele se afastar, é bem provável que um bando surja e ponha você pra correr; e ai daquele que comprar a briga!

Quando se caminha por esta rua não dá pra saber o que é asfalto ou buraco... Tudo foi tomado pelas fezes. Nessa hora você não acha o dono da arte e muito menos a cara do “patrão”, já que o quadro revela que os cães começaram uma revolução.

O grito de guerra!? Ora não poderia ser outro senão: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira” (olha a marchinha gente!).

De vez em quando eu vejo o meu cachorro da raça Pinscher cochichando com um desses comparsas junto ao portão. Humm! Sei não, mas acho que o meu cachorro está me traindo...

Vou ter que pisar em ovos daqui pra frente. Enfrentar esse baixinho é moleza, mas um bando de “tomba latas” revoltados “é osso”.



*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras

quinta-feira, 15 de maio de 2014

E O OSCAR VAI PARA...


E O OSCAR VAI PARA...

*Carlos Roberto de Souza

 

No dia 09 de março deste ano, O Fantástico exibiu uma reportagem sobre o abandono estrutural e humano do ensino público. Tal matéria meu causou espécie: como pode o Brasil – que se vangloria membro do B.R.I.C.S [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] – manter escolas sem condições de ensino onde alunos e professores sofrem indignados?

A reportagem mostrou escolas de Alagoas, Pernambuco e Maranhão literalmente sem teto, sem água potável, carteiras quebradas, chão esburacado e sem banheiros (em algumas tanto alunos quanto professores faziam suas necessidades no mato). Os alunos tinham que acordar de madrugada para pegar um “caminhão pau-de-arara” até às escolas. Outros eram obrigados a percorrer uma longa distância a pé em lamaçais. Um quadro patético!

Eu me pergunto onde está o tão difundido projeto “Criança Esperança” da Rede Globo, causador de euforia e lágrimas? Onde os políticos – cujos filhos formados nas melhores universidades – esconderam o que sobrou de sua pífia vergonha? Ah, que saudade dos atos estudantis da década de 1960, quando Jovens saíam às ruas para protestar e enfrentar a truculência da Ditadura... E o que restou da nossa Democracia mundana? Nada a não ser uma “Faixa de Gaza” cujas pedras são insuficientes para atingir o âmago do caos.

O Governo (municipal, estadual e federal) merecia uma indicação ao “Oscar de Efeitos Especiais” devido à violência urbana gratuita, drogas vendidas e consumidas a céu aberto, roubos, sucateamento do ensino público, desvalorização do professor e pelos buracos [plagiados da trilogia “Jurassic Park”] que tomam milagrosamente nossas ruas e avenidas.

O tapete vermelho da infâmia foi estendido; Sobre ele veremos os mais sórdidos políticos, tecnocratas e candidatos ao vestibular da roubalheira caminharem com altivez. O que mais me intriga, porém, é saber que com o passar do tempo, tudo isso será esquecido para ceder (em primeira mão) colunas para os babados, furos jornalísticos e meia página para os jardineiros dedurarem seus chefes.

Portanto, alegrai-vos! Pois novamente seremos lobotomizados com o que não enxergamos além dos nossos narizes.

 

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*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras.

GOOOOOOOL...


GOOOOOOOL...

(A COPA DA COZINHA É NOSSA!)

 

*Carlos Roberto de Souza

 

O mês de junho está chegando e com ele a grande expectativa: A Copa do Mundo de Futebol, eta!!!

O que me espanta é saber que durante os jogos, uma amnésia coletiva tomará conta do país. Até os índices de roubo e furto vão despencar, já que a malandragem patriótica estará – como todo cidadão – torcendo pelo nosso país.

Como dizia o escritor e jornalista Nelson Rodrigues: “O Brasil é a pátria de chuteiras”.

Antes da partida inicial, porém, o corre-corre e a euforia tomarão conta da cidade em proporções inimagináveis: o trânsito (que já era caótico) será a imagem surrealista do próprio marasmo; pacientes espalhados nos corredores de hospitais detentores de “ISO” aguardarão pacientemente a chegada de um médico.

O Congresso, o Senado, o Itamaraty, entre outras Instituições farão brindes regados a Moët Chandon. O (1.9.0) estará distribuindo a famosa evasiva: “Estamos atendendo uma ocorrência”…

A questão é: a Copa do Mundo faz milagres, ou o povo brasileiro é milagreiro? 

Creio que a primeira questão se encaixe nas entrelinhas, pois embora o povo não caminhe sobre as águas, ele se afunda nas enchentes;

Ele não multiplica os pães, contudo, sua fome é inesgotável;

Ele não tem um Judas à sua direita, mas traidores de colarinho branco;

Ele não foi visitado pelos reis magos, mas encontra em cada esquina mágicos capazes de fazer sumir um carro, uma carteira, uma motocicleta…

Por fim ele carregará a cruz que não será fincada no calvário, mas no morro onde o “pó branco” é a redenção.

... E a bola começa a rolar. Agora o bicho pega (ué, não pegou ainda?).

O lateral corre, dribla um, dois, três, cruza a bola com atitude. O centroavante corre até a área, mata a bola no peito e antes que ela toque o chão ele a chuta.

A respiração cessa, o coração dispara, o nó na garganta enforca; a bola cobre o goleiro, balança a rede...

Um grito uníssono de alegria é ouvido em todo país. Quem dera fosse um BASTA!

 

*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras.

 

 

 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O PRIMEIRO CONTATO (Cássius da Silva0


Certa vez, na ânsia de concluir um trabalho escolar, cercado de publicações dos mais variados autores e temas, e sem saber por onde começar despertei-me com um clique da minha esferográfica.

Eis que, como um “Deja Vu”, deparei-me com um antigo livro de contos em péssimas condições. O papel amarelado pelo tempo, perfurado por traças, empoeirado e suas páginas mal cheirosas. 

A tinta usada em sua impressão ainda mantinha um bom contraste, o que o tornava legível.

Então, no volver furtivo e detalhado de cada página, eu descobri algo novo: textos envolventes com assuntos, embora de séculos atrás, tão atuais e familiares que passavam não só a mim, mas a quem quer que os lesse  (leiam) uma profunda intimidade com o autor. 

Agora eu já podia empunhar aquela, cujo clique não mais soava irritante, mas frugal.

Tudo era simples, evidente e claro. Eu não precisava mais daquela pilha de publicações, pois tudo estava ali, em cada cor, som, ou lembrança. Daquela ponta esferográfica, as palavras fluíram com naturalidade e deitavam em cada pauta com a suavidade de uma pétala que pousava sobre a relva.

Eu compunha com mais idéias, indeterminado, mais livre. Não havia motivo para se preocupar com “Lapsus Linguae”... Sim era minha primeira crônica. Agora eu sabia que poderia escrever sobre qualquer coisa.

*cronista machadense

Lapus Linguae = erros de linguagem

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O ESCORT PRATEADO (Cláudio Roberto Fernandes & Eliana)



...Não pegava nem com reza brava. A chave estava prestes a quebrar, quase dando um giro de 360°, mas o motor não funcionava!

Já estava ficando irritado com o belíssimo Escort Prata 83, quase semi-novo, que pedi emprestado e consegui depois de muita insistência e uma nota de 50 reais, ao meu colega Vigilante. O caso é que como estava aprendendo a dirigir e ainda não possuía nem uma bicicleta velha, queria impressionar minha bela esposa, com os meus talentos automobilísticos.

Bem, mas depois de muitas aulas técnicas do meu amigo vigilante, me ensinado alguns “macetes” do carro, como, desligar o carro e virar a chave para economizar gasolina, consegui fazê-lo andar um quilometro em linha reta. Até que ao chegar numa curva, o danado resolveu não me obedecer, travando a direção e voltando ao mundo dos mortos, empacando bem ali, no meio da curva da estrada.

Virei às chaves, com a técnica ninja que aprendi com meu amigo, liguei o motor e fingi que nada aconteceu. Continuei em linha reta após a curva, mesmo sendo contramão, pois o coitado do Escort Prateado esquecera o que era marcha-a-ré.

Enfim cheguei à cidade feliz da vida, me sentindo o “tal”, naquele Escortão Prateado, afinal aquele carro não estava tão ruim assim: a lataria fora remendada usando-se apenas três carros (poderia ser pior, tipo o Frankstein, um pedacinho diferente em cada parte). O prata tinha cinco tonalidades diferentes (parecia carro estilizado, era muito chique!).

Atrás não tinha banco ( para caber mais bagagens ou lavagens que meu amigo costumava carregar pra alimentar seus porquinhos) e na frente os bancos saltavam as molas (parecia que estávamos andando á cavalo, ou pulando numa cama d’água). E além de tudo isso era um quase autêntico Ford, com a maciez que poucos carros novos têm.

A única coisa chata é que o antigo dono do Escort 83, um playboyzinho, tinha cortado as molas do carro, e ele já estava ficando quase sem assoalho de tanto se esfregar nos quebra molas da cidade.

Apesar de tudo isso, eu ainda tinha um sonho, assim como Martin Luther King tinha um sonho: queria impressionar minha esposa!

Por isso não desisti e segui em frente, cheguei em casa e convidei a minha amada para uma volta de carroça, digo, de carro.

Sendo ela uma verdadeira dama e companheira de aventuras, não me negou essa honra. Apenas manifestou com os olhos esbugalhados, certo temor de “afundar” no chão, quando de dentro do carro viu o asfalto debaixo de seus pés pelos furos do assoalho. Mas tudo bem. E assim fomos pela estrada afora, cantando uma musica do Legião, já que o rádio havia quebrado, o jeito era improvisar no ao vivo mesmo.

Íamos levar o veiculo até a guarita (de onde nunca deveria ter saído) até que no meio do caminho surgiu um quebra-molas, havia um quebra – molas no meio caminho... Tão sinistro quanto o Godzilla, e maior que o King Kong, e causou um ruído arrepiador embora o carro estivesse leve e eu passasse de lado.

Chegando de frente a um boteco, á umas duas esquinas a frente do quebra-molas-assassino, o carro “morreu”. Achei estranho, pois tinha abastecido meio tanque e embora aquele carro fosse gastador, tinha rodado muito pouco para ter acabado o álcool.

Fiquei tentando dar a partida, parado ali, bem no meio da rua, e quanto mais eu insistia, mais ouvia um “... nãnãnãnãnãnãnãnãnãnãooooooo...” do motor, além do cheiro forte de álcool, que pelo visto, não era do boteco, pois estávamos com os vidros fechados.

E de repente, apareceu um anjo da guarda, um pouco mais “alto” que de costume, e perguntou o que havia acontecido. Expliquei que quase havia sido abduzido pelo gigantesco quebra-molas e assim apareceu uma legião de “ anjos- manguaceiros” para ajudar. Foi um tal de: “vai”, “agora”, “põe uma segunda”, “pisa”, “agora solta”...

E o cheiro de álcool ficava mais e mais forte. Mas o carro não reagia aos trancos solidários e não funcionava.

Foi quando um dos meus ajudadores resolveu olhar debaixo do carro, por estar escuro ( na concepção dele, pois ainda estava claro) e acendeu um isqueiro.

Minha esposa levou um susto, pois o cheiro de álcool que vazava era quase insuportável e quis sair do carro, mas não deixei. Arrisquei tê-la “torrada”, mas dentro do carro, que ver os marmanjos olhando para a beleza dela. Vai entender o amor não mesmo?!

E o isqueiro clareou mesmo, o suficiente pelo menos para vermos a mangueirinha que mandava o álcool do tanque ao motor solta. Certamente por causa do Godzila quebra-molas, ou um de seus filhotes, que agarrava o assoalho a cada passada.

E para relaxar a tensão, o carinha do bar, ainda meio são, acendeu um cigarro e enfiou a cabeça debaixo do assoalho, com uma enorme dificuldade. E com o isqueiro aceso segurado por mim – que solução? – ele foi trocando cigarro de mão até conseguir a melhor posição e ligou as pontas da mangueira.

Pronto. Esperei meio segundo e liguei o carro, que dessa vez pegou.

Agradeci aos meus anjos da guarda do boteco, pela sua imensa prontidão em nos ajudar sem pedir nada em troca, e acima de tudo a Deus, pois pude constatar que Ele realmente existe.

* Cláudio Roberto Fernandes e Elaina são casados. São pais da pequena Maria Eduarda, uma talentosa poetisa.

Foto: http://images03.olx.com.br/ui/1/00/90/23370090_1.jpg

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

VIDA DE CACHORRO ( Braz Chediak)




Quando morreu, ao chegar ao céu dos cachorros, o vira-latas Lulu - que todos chamavam de Lu - protestou:

          - Ora, isso não tá certo. Deus puxa a brasa pra sardinha dos homens. A vida deles é muito melhor...

           São Pedro que, como todo bom porteiro, é atencioso, tentou explicar, mas o vira-latas mostrou-se irredutível. O bom velhinho então, consultando seu computador, viu que estava havendo um parto na terra, numa cidadezinha chamada Três Corações, e propôs ao implicante que voltasse para nosso mundo como gente e, assim, quando morresse poderia vir para o céu dos humanos. O vira-latas aceitou.
***
           Lúcio da Silva - que todos chamavam de Lu - nasceu às 4,30 da tarde, no fim da Cotia e, nem bem abriu os olhos, foi dependurado de cabeça pra baixo e levou um tremendo tapa na bunda. Quis latir, protestando, mas o que conseguiu foi soltar um berro esquisito, semelhante a um instrumento desafinado: “Uuaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh....”

           Em seguida enfiaram-lhe numa bacia e, enquanto ele se esgoelava aflito, a família toda se aproximou falando coisas incompreensíveis: “É a cara do pai..”, “É a cara da mãe...” e uma tal de Tia começou a passar os dedos em seus lábios, dizendo: “Bilú, bilú, bilú, ne-néééémmm...” E, por mais que ele gritasse protestando, não o deixavam em paz.

          “Isso
é só no começo”, ele pensou, “depois melhora”.

          Mas não melhorou. No dia seguinte um homem a quem chamavam Pediatra, acendeu-lhe uma lanterninha na boca, arregalou-lhe os olhos, mexeu em seus ouvidos, enfiou-lhe goela abaixo um líquido horroroso...

         Pouco tempo depois começou a andar como estava acostumado: nas quatro patas. Mas, não sabia por que, chamavam aquilo de engatinhar. Quis protestar, sempre fora inimigo dos gatos, não aceitaria aquela ofensa, mas conseguiu apenas balbuciar um hhhaaaannn!!!!, que fez a tal Tia dar um grito:

     - Ele tá começando a falar. Meu Deus, que gracinha...

          E foi um corre-corre. A desgraçada pegando-o no colo, jogando-o para cima:       “Fala titi...titi... titi-a-a-a-a-a-a!!!

           Mas não era só isso: a mãe o obrigava a comer uma papa horrível enquanto suspendia a colher e dizia: “hhhhoooonnnnnn... olha o aviãozinho, olha o aviãozinho”. E tome comida, tome vacinas, e não pode andar descalço, e sai da chuva, e sai do sol , não sobe na janela, não se esconda embaixo da mesa, e já pra casa, cê ainda é criança pra brincar na rua...
***
               Quando cresceu arrumou emprego num banco. Ficava o dia inteiro contando dinheiro - muito dinheiro - e no fim do mês recebia uma mixaria que não dava nem pra pagar as contas. Sim, pois os humanos viviam cheios de contas para pagar. Era aluguel, prestação, luz, gás, telefone, impostos, padaria, açougue e etc. e etc., etc., etc....... Um ano depois casou-se, alugou casa no Peró e... as contas aumentaram. E a mulher, que antes era tão compreensiva, começou a tratá-lo da mesma maneira que sua mãe o tratava quando criança:

           - Não suja o chão! Vai comprar leite, varre o quintal, vê se o feijão tá queimando...Cê não acha que tá muito marmanjo pra ficar na rua?????
***
           Lu teve filhos, enfrentou desemprego, brigou e desbrigou com a mulher que vivia lhe martelando os ouvidos:

           - Toma conta das crianças. Tem que pagar o açougue, tem que consertar o fogão, a privada tá quebrada, a pia tá pingando....

             E os filhos cresceram, e se casaram, e diziam: “Toma conta dos seus netos, nós vamos sair...” E a mulher: “Sai da rua, cê tá muito velho pra ficar no sereno...” E os netos: “olha o cabelo dele que belezinha, tá branquinho... bilú, bilú, bilú... vovôôôôô......”

         “Meu Deus - ele pensou, vendo um cachorro virando uma lata de lixo na calçada em frente - será que os animais passam por tanta amolação???”

          E, atravessando a rua para espantar o cãozinho, sentiu um pontada, uma dor aguda no peito e... morreu.

          Quando chegou ao céu, foi conduzido ao tal paraíso dos humanos, cheio de anjos, de homens, de mulheres, de adolescentes, de crianças... Mas Lu começou a tremer, sentiu pavor, segurou na barba de São Pedro e protestou gritando:

         - Nada disso. Aí, não, pelo amor de Deus. Nada de gente perto de mim. Quero ir pro céu dos cachorros. Lá pelo menos tem postes, muitos postes, onde vou poder erguer minha perna e mijar. Mijar a vontade. Quero mijar pra essa tal de humanidade!!!!
*Braz Chediak é cineasta e colunista.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O FIM DO MUNDO (Bruna Longobuco)


MUITO FALA-SE NO FIM DO MUNDO. Primeiro seria na virada do milênio. Agora, de acordo com o calendário Maia, a previsão é dezembro de 2012.

O cataclismo mundial foi e é tema de filmes, discussões, previsões. Está no apocalipse, nos medos que assolam a humanidade de tempos em tempos, nos efeitos do aquecimento global. Mas o que é o fim do mundo senão o descuido do homem com a natureza?


O fim do mundo reflete-se nas estatísticas de violência, na corrupção, na indiferença. É a gentileza que anda sumida. O carinho que está ausente. O descaso, o desrespeito, o desamor. Desamor com os outros ou em relação à pessoa que se é.

Fim de mundo é a falta de cuidado com a terra, a ambição desmedida que condena o planeta.



Estamos destruindo o mundo quando ignoramos nossa mortalidade e tratamos o todo com um simples e significativo “dar de ombros”; quando esquecemos o sentido de gente; quando somos menos fé e mais matéria; quando viramos as costas para aqueles que precisam de nossa ajuda e excluímos a solidariedade do nosso vocabulário.



O que podemos fazer para minimizar o caos em que vivemos?



Acredito que cada um de nós pode contribuir positivamente em relação ao meio que o cerca. Podemos não ter um alcance global, mas há atitudes que se expandem de forma inesperada. Enquanto existe vida, procure algo ou alguém que possa alcançar.


Conheça os trabalhos de Bruna Longobuco
http://feiticoliterario.blogspot.com/

www.brunalongobucco.com

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ADAURI ALVES (por Thaís Matarazzo)

Conheci o sr. Adauri Alves, no início de 2001. A maioria das manhãs passava a consultar rolos de microfilmes, de diversos periódicos, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade. A pesquisa é um trabalho solitário, por vezes, extenso e cansativo. O tema da minha pesquisa era a cantora Aurora Miranda.
Já tinha um bom material compilado. Na sala de microfilmes existiam duas máquinas para consultas, era sempre necessário agendar com bastante antecedência, a procura era grande. Foi numa dessas manhãs, que um senhor, que estava na máquina ao lado, puxou conversa comigo.

Fiquei com certo receio, porque nunca gostei de gente que fala demais, mas no caso, esse senhor a discorrer com muita propriedade sobre a música brasileira, especialmente, sobre a Era de Ouro do Rádio. Ai, eu perguntei: "O sr. bem que poderia me auxiliar na minha pesquisa!", ele disse que sim. Era o sr. Adauri Alves.



Dali nasceu uma amizade muito sincera e bonita. Foi uma das únicas pessoas que me estendeu as mãos, por que, ninguém me dava crédito, uma iniciante.
É incrível o julgamento dos mais velhos com os mais novos nesse sentido. Muitos, com imensa soberba e sisudez, fazem pouco dos jovens, atribuem valores negativos, sem ao menos saber como ele está desenvolvendo seu trabalho.


Quando comecei a pesquisar, não sabia quase nada sobre outros arquivos e bibliotecas da cidade, foi o sr. Adauri, que pacientemente, me levou a outros locais, me mostrava as revistas, jornais, livros, etc; sempre dizia: "- Dentro de uma biblioteca você deve ser antes de tudo um curioso!", ele tem razão. Afirmava que para os pesquisadores e escritores o caminho mais difícil era o "caminho das pedras".


Eu não entendia bem, mas depois descobri que o tal caminho era o conhecimento que você adquire conhecendo os lugares, sua história e seus acervos. Sempre repetia: "Ler sem refletir é comer sem digerir".



Depois de um tempo, o senhor Adauri disse que respeitava meu trabalho de pesquisa, porque era jovem, mas fazia tudo com amor e seriedade. Por diferentes vezes, eu servia de secretária do sr. Adauri, ele partia para entrevistar uma fonte, nos diversos cantos da cidade, eu seguia junto, fotografava, anotava dados, e assim fui me apaixonando pelo jornalismo.


O sr. Adauri é tido muitas vezes por ser uma pessoa rebelde, mas isso tudo porque ele quer mostrar para as pessoas como são alienadas e manipuladas. Em 90% das vezes, sempre é mal interpretado. São poucos que reconhecem seu trabalho, sabedoria e amizade.


Sei que ele nasceu na cidade de Arapongas, no Paraná, terra que nunca deixa de exaltar. Seu pai trabalhou na estrada de ferro, quando o menino tinha oito anos, ficou órfão, tinha seis irmãos mais velhos. Passaram muita necessidade, a mãe passou a lavar roupa para fora. O sr. Adauri é negro, sempre lutou contra o preconceito racial, e assim ensina todos as pessoas da sua raça, para não abaixarem a cabeça, não serem subservientes, está sempre patrocinando e criando núcleos de consciência negra. 
Ele sempre contava que na sua cidade existiam muitos italianos, e que esses eram “negros virados do avesso”, por ser um povo quente e não levar desaforos para casa. Lembrava com carinho, da D. Lúcia, uma italiana que deixou saudades. Já era um menino dinâmico, gostava muito de estudar.


Veio para São Paulo em 1966, foi trabalhar em um açougue, na Consolação, um bairro em ascenção, nobre e onde moravam muitos artistas. Ao realizar as entregas das carnes, conheceu muitas personalidades da época como Roberto Carlos, Hebe Camargo. 
Lembro-me, especialmente, de um episódio que sempre contava: numa tarde foi entregar carnes na casa do Dr. Paulo Machado de Carvalho - dono da Rádio e TV Record; estava conversando com a cozinheira, eis que aparece o dr. Paulo, ordenou que a empregada servisse o almoço ao rapaz, depois perguntou para qual time torcia, Adauri respondeu: "São Paulo Futebol Clube", dias depois recebeu um embrulho, era uma camisa do São Paulo autografada e uma carta do dr. Paulo.


Não teve oportunidade de prosseguir seus estudos, mas sempre devorou livros. O sr. Adauri além de escritor e poeta também foi cantor. Chegou a gravar alguns LP's. Mas, logo, se desiludiu com o mundo artístico e deixou tudo de lado. Foi trabalhar como jornalista, passou a morar na cidade de Franco da Rocha, na grande São Paulo. Escreveu diversos livros, sempre resgatando a memória da cidade de São Paulo e redondezas, futebol, crimes, música, especialmente sobre a loucura. Casou-se e teve uma filha, Ana Lúcia, dentista, de quem fala com profundo orgulho e amor.


Neste mês de setembro faz exatamente dois anos que a Mário de Andrade fechou para reforma, já devia ter sido reaberta, mas as obras não foram concluídas. Recordei com muitas saudades de lá, das minhas pesquisas e também do sr. Adauri.


* Thaís Matarazzo pesquisadora, escritora e futuramente jornalista.



As obras de Thaís Matarazo, todas feitas em São Paulo, têm uma tiragem de 10 exemplares cada, distribuídas em bibliotecas, museus e arquivos de São Paulo e Rio de Janeiro



* Lírio do Amor - poesias - 2001
* Nas Ondas de Aurora Miranda, a outra pequena notável - 2002
* Nas Ondas: Sylvinha Melo, a bonequinha do Rádio- 2003
* Estrelas do Rádio Carioca (Cantoras anos 30: Cirene Fagundes, Madelou Assis, Glorinha Caldas, Marilú, Carmen Barbosa e Neyde Martins) - 2003
* Elisa Coelho, o pássaro cantador - 2003
* Nossas Cantoras de Rádio (Cantoras Rádio paulista, anos 30: Dolly Ennor, Helena Pinto de Carvalho, Sônia Carvalho, Agripina, Laís Marival, Alzirinha Camargo, Roxane e Cida Tibiriça) - 2004
* Dois Sambistas do Barulho -2004
* Elsa Laranjeira, a voz docura - 2005
* Simplesmente Maysa - 2005
* Odete Amaral, a voz tropical - 2005
* Neyde Fraga, a voz veludo - 2006
* Cidália Meireles, a voz de Portugal - 2006
* Cinderela, "a bonequinha" do Rádio Paulistano - 2007



Contato:



thmatarazzo@gmail.com

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

AINDA OUÇO E SINTO A MÚSICA TOCANDO LÁ DENTRO DE MIM

Todos nós, um dia na vida acabamos sofrendo uma grande decepção, por um breve momento esse fracasso nos torna impotente, e pouco a pouco acabamos dando lugar a vários outros sentimentos ruins.
Nossas palavras confundem a nossa razão e começamos a viver de restos e sobras desse momento. Nossos sonhos são quebrados ao meio, perdemos a direção e deixamos que o vento nos leve, e aprendemos a andar na corda bamba, pois, não acreditamos nas nossas capacidades, erramos tentando consertar o mundo; e é essa insatisfação que nos move.
Acreditar no amor, nos dias atuais, nos tornam vulneráveis; romances são fantasias descritas em livros, nossos sentimentos estão sendo processados por uma máquina registradora.

E o que queremos da vida é somente um amor para recordar, são lembranças das histórias contadas por nossos avós, ou até mesmo o carinho daquela professora. Estamos perdendo todo tempo atrás de computadores que nos aproximam das pessoas e nos afastam do nobre sentimento.O que estamos buscando? Tempo? Dinheiro? Status?
Vendemos a nossa alma tentando descobrir o pote de ouro no final do arco-íris, colocamos a toda prova nossos filhos e nossa família, trabalhamos incansavelmente para lhes proporcionar conforto e ao conseguir isso estamos fartos de mais para repousarmos. É preciso parar; é necessário concentração para poder ouvir a música que toca lá dentro, não se pode amar um peixe se somos um pássaro, onde é que viveríamos?


*Edhiene Braga é poetisa e contista (Machado-MG)

sábado, 25 de julho de 2009

E DEUS ME CARREGOU NOS BRAÇOS...

Assim, com amor, reconhecimento e gratidão, quero deixar meu testemunho de mulher cristã, que recebeu o grande milagre de estar viva após sofrer grave queda em uma escada, e poder continuar louvando e agradecendo dia após dia ao Senhor Deus, que me concedeu este verdadeiro livramento! Gloria ao Senhor!
Quero, abraçando bem forte e com muito carinho a todos que me socorreram, em especial aos médicos que me atenderam com muito carinho e dedicação, deixar meu sincero agradecimento. Agradeço também a todos que oraram pelo meu restabelecimento. À minha família querida, que me acolheu e cuidou de mim com tanto amor e carinho, eu só posso dizer: Deus lhes pague e abençoe a todos!

Agradeço também todas as visitas e telefonemas de pessoas amigas e que me querem bem... Retribuo feliz, com todo amor e com muitas orações diariamente. Obrigada também às minhas queridas colaboradoras que me ajudaram muito e peço a Deus que as fortaleça. Todo louvor, honra e glória cantarei enquanto viver por este jardim lindo e florido que Deus plantou em minha vida.
Flores coloridas e perfeitas, de pétalas macias, sedosas, e perfumadas de cores vivas e brilhantes, de rosas, begônias, violetas e de cravos, lírios e jasmins, que são meus seis filhos lindos e saudáveis, que me deram juntamente com meus quatros genros e minhas duas noras, 15 encantadores netos, incluindo seus esposos que, para encantar e perfumar ainda mais este jardim da minha vida, me deram 18 bisnetos maravilhosos, graças a Deus!
E foi também por isso que o Senhor salvou a vida desta serva, para ela continuar orando e regando, cuidando e curtindo com alegria e muito amor esta graça tão grande! E agora termino feliz ainda com a certeza que terei no Céu um jardim de grande beleza e maravilha, muitas vezes mais florido e perfumado, porque foi plantado por Deus e por seus anjo e que lá espera a todos salvos e libertos do pecado pelo sacrifício na cruz do seu único e amado Filho, Jesus!
Obrigada meu Deus por esse milagre!

*Zininha Neves é poetisa e compositora

NOSSOS JOVENS ESTÃO MORRENDO

*Anita Diniz

Começo o polêmico assunto com algumas perguntas:
Por que na época dos nossos avós essa era uma notícia raramente vivenciada? Será por uma educação rígida? Princípios e valores opostos ao que agregamos à sociedade nos dias atuais? Talvez...
Presenciamos um notável índice de jovens envolvidos em acidentes de trânsito nos quais muitos perdem suas vidas, quando na verdade deveriam estar atrás de seus sonhos juvenis.
O que me desperta outra grande dúvida: para onde foram os sonhos que encantavam essa mágica passagem em nossas vidas? Quando nos meus 15 anos, enquanto sonhava com o que seria quando adulta...
Hoje com a mesma idade traçam seus caminhos por estradas muitas vezes irreversíveis.
Enquanto brincava de “salada de fruta” atrás do banheiro da escola, hoje, aos 15 anos muitos são pais de família ou mães abandonadas à própria sorte. Sem perspectiva alguma se transformam em adultos com poucas possibilidades de serem equilibrados; daí surge a desestrutura familiar, o que visivelmente vem abalando nossa sociedade.
Não justificando este insano ato, o que leva um pai autorizar uma criança aprender a dirigir?
Quando autorizam o pequeno jovem tomar frente de um automóvel, não imaginam qual será a conseqüência?
Quando foi citado que o jovem tomou posse do carro da família sem autorização, o que veio de imediato ao pensamento foi: como ele houvera aprendido a manusear o automóvel?
Acredito eu, um preço muito alto para uma inútil vaidade humana...

* Poetisa e contista (Machado-MG)

domingo, 19 de julho de 2009

REFORMAS À PARTE, A LÍNGUA FICOU AINDA MAIS CONFUSA...

Será que a reforma da língua portuguesa foi esmo boa? Será que vai facilitar a vida de todos os países que falam a nossa língua?

Eu tenho cá minhas dúvidas: por exemplo, quando Jesus disse que nos amássemos uns aos outros, será que Ele queria dizer que nos amássemos ou que nos amassemos? Dependendo da circunstância, dá mais vontade de usar a segunda opção...

Quando eu digo para alguém que está cheio de problemas, para que fique “tranquilo”, não seria mais fácil dizer “trankilo”?... (já que o K, Y e W agora fazem parte de nosso abecedário...). Ou seria “tranqüilo”? Ah! mas o trema acabou...


Quando eu quero um pedaço de queijo, poderia dizer: “Kero um pedaso de keijo...” Onde fica o “ç” (c cedilha) no alfabeto? Eu nunca achei... Isso existe?

Se quiserem facilitar a vida de verdade, deveriam usar o “z” em todos os lugares onde o “s” está ocupando seu lugar; então, o certo seria “Kizesem”?
E o hífen, então? Nada tem lógica... quase tudo é exceção?
Olha! Encontrei outra dúvida: “exceção”. Como é que o “x” está ocupando o lugar do “s”? Deve ser por isso que o primeiro “s” foi ficar pertinho do segundo... (é porque o “x” não “kis” nem saber se era lugar dele ou não e, foi logo tomando o lugar do pobrezinho...) O “x” é mesmo abusado...

O coitado do “z” já faz tempo ocupa o último lugar no ABC... Isso vai longe!!!

Nas ruas, as “mini-saias” diminuem a cada dia, mas aumentam as letras, pode? –“minissaia”...

As regras estão mesmo estranhas... Acho que precisamos convocar muitos “contrarrrrregras” para tentar “fasilitar” pra valer...

Eu estou na maior confusão, e você?


*Rhosa Ferreira artista plástica, escritora e poetisa (membro da Academia de Letras de Machado-MG)

Contato: (35) 3295-6481 ou 9922-6481