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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Cícero da Silva Teles (Talento da Vez)



Natural de Triunfo, Pernambuco, Cícero da Silva Teles, 35, faz parte de uma família de seis irmãos. Sua infância foi marcada com muito suor nas lavouras de corte de cana e engenhos. Quando completou 16 anos foi convidado pelos amigos Naldo “Gás” e Edith para acompanhá-los à cidade de Machado em busca de oportunidades. Não foi fácil convencer seus pais a deixá-lo ir; porém o jovem Cícero estava decidido a encarar esse novo desafio.

“Quando cheguei à Machado me senti completamente sem rumo e com saudades do lar. Mas Edith (tia do Naldo) cuidou de mim como a um filho. Seus conselhos me encorajaram a enfrentar os desafios que viriam pela frente”, ele relatou. Seu primeiro emprego foi na lavoura de café; depois como frentista de posto de gasolina, em seguida fez parte do quadro da empresa Brás Freios e, atualmente, é colaborador (há 14 anos) do Pastifício Santa Amália.

O futebol passou a fazer parte de sua vida na ocasião em que foi convidado para participar de um campeonato municipal. O gosto por essa modalidade esportiva o levou a organizar dois Campeonatos Interno de Futebol da Santa Amália. O primeiro foi realizado no “Campo do Ernesto” e o segundo na Praça.

Essas realizações esportivas têm o aval (apoio) constante de Guilherme Garcia, Luiz Henrique Penha, Júnior Prado, Lucimar, Antônio Rodrigues, Daniel Garcia, Cristiano (Expedição), Samurai e as meninas do RH.

Para homenageá-los, Cícero ligou seus nomes às seguintes chaves: Produção I-Antônio Rodrigues; Produção II-Guilherme Garcia; Produção III-Júnior Prado; Empacotamento I-Lucimar; Empacotamento II-Samurai; Bolo-Daniel Garcia; Expedição I-Cristiano e Expedição II-Pedrão. Ao todo foi um total de seis campeonatos internos, sem contar com as participações nos Jogos do SESI (Futsal, Society e Vôlei). Mas não pense que acabou por aqui!

Ao lado de outros 14 colaboradores da Santa Amália, Cícero vem trabalhando em um novo projeto (um documentário) que vai enfocar o combate as drogas através da prática esportiva.
Cícero – forrozeiro e torcedor apaixonado do Palmeiras –, concluiu o Ensino Médio no Iracema Rodrigues. Ele está casado há 11 anos com Maria Isabel, e dessa união nasceu a linda Maria Paula (hoje com 4 anos).
“O futebol, assim como qualquer outra prática esportiva pode tirar muitas pessoas dos maus caminhos e afastar inimigos que tentam a todo custo destruir seus sonhos... Precisamos programar nossas vidas no esporte”, concluiu.

terça-feira, 15 de maio de 2012

CARTAS PARA O CÉU


Carta para o Céu


Machado,17 de Abril de 2012

Caro Amigo,

Esta semana, dia 16 de Abril de 2012, houve uma festa no céu e Deus convidou um amigo nosso para ela. E ele, mesmo contrariando os desejos de sua família, de seus amigos, resolveu ir.
Penso que ele nem pestanejou quando se imaginou diante da possibilidade de ver de perto o nosso Criador. E foi para ficar.Disse que partiu feliz e a cada um de nós que ficou por aqui deixou somente boas lembranças
Antes de sua total partida do nosso meio houve uma despedida muito bonita,  muita gente se reuniu na paróquia São José para deixar sua mensagem de boa viagem.
Todos choraram muito. Também, ninguém tem idéia do que é ir para o céu. Nós imaginamos que lá é um paraíso, mas temos um pouco de medo do nosso momento.
As pessoas de sua família ficaram inconsoláveis, pois, quem é que gosta de se separar das pessoas que ama? Ninguém gosta e nem quer.
O José Vítor e os padres, amigos dele, disseram-lhe belas palavras, mostrando a todos como toda uma comunidade sofre com a perda de pessoas boas que fazem o bem e distribuem concórdia por onde passam. E ele era assim, sempre atencioso, carinhoso no tratamento com os amigos, solícito em tudo e, mais que isso, mostrou-se sempre um cristão com grande fé.
Então, amigo! Cada um que ficou aqui tem algo a lhe dizer. São tantas vozes emaranhadas em soluços que estou a pedir que façam fila. Não dá para dizer tudo de uma só vez. Você acabou de chegar aí e deve estar cansado. Ainda bem que não há malas para desfazer.
Ontem mesmo, depois que você se foi, fui aplicar prova na faculdade, onde você foi meu professor, lugar em que você sempre brilhou e onde fomos colegas de trabalho por muito tempo . Você ensinou-me Linguística, mas, muito mais do que Lingüística, você ensinou-me a ensinar  alegria, razão de ser do educador.  
Pois é, os professores da sua época que ainda estão lá, ficamos conversando e falando de você. Pensamos então, que devíamos, juntos, escrever algo para você, que falasse de você em nome de todos. Eu me comprometi de fazê-lo. Estou escrevendo uma carta, pois me sinto à vontade em trabalhar as palavras, uma vez que estou falando com um amigo, e, entre amigos, não é necessária tanta  preocupação com elas.
Sabe o que todos disseram para eu dizer?
Que você foi um grande homem, um grande amigo, um grande profissional e, mais que tudo, muito humano.
Que bobagem! Qualquer pessoa que o conheceu aqui já lhe deve ter dito isso. Ah!, mas é sempre bom saber que somos queridos, né?
O Guimarães Rosa tem razão; as pessoas não morrem, ficam encantadas. Você transformou-se nesse encantamento cuja lembrança nunca trará tristeza.
Nós falamos e falamos de você e tudo que resultou do que falamos foi o encanto de uma vida que veio para demorar um pouco mais de meio século, mas que deixou u´a marca tão profunda, tão significativa que bastou para Deus.
E Deus o convidou, então, para cuidar, em outro plano, das flores do caminho, das sementes lançadas, das palavras que ainda estavam por dizer.Você respondeu tão depressa ao chamado para a festa no céu que nem pensou em quantas pessoas ficariam aqui lamentando sua ausência. Mas você está certo: quem pode recusar a um chamado de Deus?
Você viu, Clêuton, que estou falando com você numa forma bem coloquial? É assim que fazem os amigos: abrem seu coração e deixam a luz do céu entrar. Não vá mostrar esta carta pra ninguém. Sei lá como vão reagir  aí os clássicos da palavra.
Antes que eu me esqueça deixo alguns nomes de colegas da faculdade que mandam um abraço apertado. Eles estão do meu lado: a Rita, a Norma, a Elissa, a Sônia, a Elza... olha, não vou escrever o nome de todos, senão a lista não acaba. A turma toda, que você conhece, deixa-lhe abraços saudosos.
Só mais algumas palavras: o José Vítor, o Vilela, o José Agenor estavam confabulando sobre o grupo do qual ainda faziam parte  você e o seu Maurílio. Lembra? Penso que é o grupo que fundou o jornal. Foram tantas conversas de uma só vez que não dá pra dizer.
Você viu quanta gente esteve na sua despedida? Encheu a Igreja.
Você ouviu as músicas cantadas pelo coral?
Pois é, Clêuton, só mesmo um grande homem como você receberia tantas pessoas, tantas flores e tantos soluços.
Espero que você leia esta carta debaixo de uma grande árvore com todas as vozes dos anjos entoando em coro: Chega de saudade!
Você é um grande amigo para ser guardado do lado esquerdo do peito, dentro do coração.
Olhe daí pelos seus irmãos e irmãs de sangue que não suportaram  ver você partir e vão demorar um pouco para aceitarem sua ausência. Não se esqueça de nós outros que somos irmãos de coração.
Chega, né, Clêuton, você deve estar cansado já. Fico no atalho porque  a estrada é longa. Descanse em paz.
Vislumbro em você o que li em Robert Frost : “ Ele teve um caso de amor com a vida”
Um grande abraço e saudade , em nome de todos.

Olga Caixeta
Mestre em Língua Portuguesa e membro da Academia Machadense de Letras

segunda-feira, 26 de março de 2012

 Uma VERGONHA!! O que era para ser tombado e preservado logo não passará de ruínas. Neste local poderia estar funcionando uma escola de música, um teatro, uma oficina cultural, um local para exposições... Precisamos encontrar a caixa de Pandora, e libertar a esperança... Ela está fazendo falta por aqui.
Esta antiga resid~encia está localizada na Avenida Barão do Rio Branco (Centro) de Machado-MG.
 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

JOSE TRINDADE DE OLIVEIRA FILHO (In Memorian)


HOMENAGEM AO HOMEM QUE PILOTAVA OS SONHOS

Conheci Pelin em 2005 através de meu pai. Eu estava coletando dados para a edição de uma revista que resgataria a trajetória do cinema machadense. Desde então nutri uma grande amizade e respeito por esse cidadão. Ao lado do pai (Seo Oliveira) e o irmão Jorge, desempenhou várias funções no antigo Cine Limeira. Pelin nasceu José Trindade de Oliveira Filho. 
 
Seu apelido se referia a um antigo dirigível (o Zepelin) construído por um barão alemão. Em 1955 trabalhou na Rádio Difusora, cujo diretor era Walter Mattos Reis. Com a morte do pai, em 1963, Pelin retornou ao cinema para cuidar da projeção. 

Em 1974, sob a direção do Sr. Fernando, todos os antigos funcionários foram demitidos. Pelin passou a se dedicar a sua outra paixão: o futebol. Ao assumir o posto de Diretor de Esportes teve como objetivo principal, treinar e descobrir novos talentos... E conseguiu, mesmo sem ter o apoio necessário!

Finalizo essas poucas linhas com a certeza de que ele cumpriu sua missão. Nós, machadenses perdemos um bom amigo; a cidade perde um grande cidadão.  Embora tenha-se fechado as cortinas da vida , o filme ainda continua...

* Carlos Roberto de Souza

Foto: Folha Machadense

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CARTA PARA MINHA MORTE (Cristina de Paula Silva Cardoso)


Abra-se um abismo sob meus pés
Cala-te uma tempestade insana
Derrama-se sobre o mar o sangue do poeta.

Leve para longe as verdades santas,
Prevaleça sobre minha alma força de vontade
Faça do meu começo um fim,
O início da maldade.

Proíba que o amor cesse
Não deixe que meu coração se parta,
Não me negue o direito de sonhar
Não negligencie as coisas fartas
Não me ignore se me amar.

Não fale aos outros o que quer me dizer
Me faça novamente enlouquecer
Torne meu ódio, alegria;
E toda minha mágoa força para vencer.

Da minha ilusão faça contas
Que possam formar um cordão
E das minhas palavras, atas
Cheias de persuasão.

Destrua tudo o que odeio
Se necessário também o anseio,
E no fim do meu devaneio
Encontre eu, o meu tão sonhado fim;
Que deve ser infinitamente lembrando

Se quiseres responda ou deixe recado
Pois este recado é para ti,
Oh Morte!

*Cristina de Paula Silva Cardoso é poetisa da cidade de Machado-MG

Contatos:


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

JUSSARA NEVES REZENDE


Doutora em Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), sou pesquisadora nesta área e autora de textos de crítica literária – publicados pela UFMG, PUC-MINAS, PUCRS, USP e Academia Mineira de Letras – além do livro de poemas Minas de mim (2001).

Escrevi meu primeiro poema aos 10 anos e hoje possuo uma gaveta cheia de inéditos, entre os quais se encontram três livros infanto-juvenis. 

Trabalho atualmente em um livro de crítica literária a respeito da obra poética de Florbela Espanca e na revisão de um outro livro de poemas para o qual em breve buscarei editor.
Além de leitora voraz, sou dona de casa e mãe, gosto de decoração, artesanato, culinária, jardinagem e viagens.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

FORTE APACHE (Tássilo Campos)

Como muitos no Brasil, sou colecionador do brinquedo de faroeste FORTE APACHE. Este surgiu nos Estados Unidos em 1953, por influência de filmes de faroeste como o filme “ Forte Apache (1948), dirigido por John Ford e com os atores Henry Fonda e John Wayne. Seriados como o Rin Tin Tin (1954 e 1959), Bonanza (1959 a 1973), Chaparral (1967 a 1971) entre outros.


Algumas informações dizem que no Brasil o Forte Apache teria sido lançado no final de 1963, Pela empresa Casablanca e foi o brinquedo de maior sucesso no Brasil nas décadas de 60,70 e 80.


Nos anos finais da década de 60 a Casablanca estava no auge. Sucesso entre as crianças, vendas crescentes, novos produtos lançados. Em 1969 um estranho incêndio teria destruído a Casablanca em São Paulo. Quando a indústria foi reconstruída, surgiu com o nome de Gulliver em São Caetano do Sul.


Em seu auge os principais produtos da linha de faroeste da Casablanca e Gulliver  eram os seguintes: Forte Apache de madeira, Acampamento Apache, Os apaches, Caravana, Fazenda Ponderosa, Virgínia City, Planície selvagem, A Conquista do Oeste e  Chaparral que era o rancho baseado na série homônima - na época sucesso na TV.


Existiam Vários outros fabricantes como a Trol que fabricava o Fort Rin-tin-tin, entre outros.

1979  marcou o fim da época de ouro dos brinquedos de faroeste. A partir de 1980 os brinquedos foram bastante reformulados.


Na Segunda metade dos anos 90 os fortes passam a ser de plástico e vendidos em maletas.

Mesmo com o declínio do gênero faroeste nos cinemas e na TV, a Gulliver mantém o Forte Apache em linha até hoje, mas os produtos lançados nos últimos 20 anos não se comparam àqueles dos anos 60, 70 e 80.


 Informo a todos que ainda tiverem este brinquedos guardado, que compro para completar minha coleção pagando um preço justo;  e para quem quiser  matar a saudade tenho um belo forte apache exposto na Mortal Games Rua dom Hugo, 447, contato pelo telefone (35) 3295-1710.



*Tássilo Campos



Fontes: brinquedos de faroeste, Gulliver, Wikipédia.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

LEMBREI-ME DE VOCÊ (Ana Lúcia Alves Martins)


Ana Lúcia Alves Martins nasceu no município de Poço Fundo-MG, aos 26/07/51. Filha de Francisco Geraldo Alves e Umbelina Cândida Alves é casada com Otávio Augusto Marins dos Santos, mãe de Otávio Júnior e Ana Marla.

Graduada em Ciências Contábeis pela Faculdade de Administração e Finanças de Machado em 1976, com Pós-Graduação Lato Sensu promovida pelo MEC/SESU/CAPES, na área de Administração, realizada na FEM em 1979.
Na área profissional foi contadora pelas firmas: Calçados Aliado Ltda., Aguardente Piorra, Proex-Produtores Rurais Ltda., Eletromarques e Fazenda Santa Clara. Exerceu também a profissão de professora no Colégio Comercial de Machado, onde lecionava a disciplina OSPB.

Mais tarde ampliou a grade horária, lecionando as disciplinas Educação para o Lar e Técnicas Comerciais, antes de ingressar no Banco do Brasil em 1982, onde trabalhou até aposentar-se em 2003. Além das atividades profissionais, foi tesoureira da Casa da Amizade (Rotary), e participou da Sociedade São Vicente de Paula e Companhia do Quilo (por 18 anos).

E na parte religiosa lidera, juntamente com o seu marido, um Grupo de Movimento de Encontro de Casais com Cristo desde 1981. Faz parte do Coral Cidade Presépio desde 1990.

Ajudou a promover o Primeiro e o Segundo Festival de Poesias em Machado, promovidos pela Tribuna Machadense.

“LEMBREI-ME DE VOCÊ” (2011 /Gráfica e Editora Gilcav Ltda), é o primeiro livro da autora que pretende lançar o segundo volume muito em breve.

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A verdade é que as palavras não escolhem espaço nem momento. Elas teimam em querer surgir... Só estão à espera daqueles que possam libertá-las da solidão das idéias para trazê-las para onde elas mais gostam de estar: nas páginas de um livro, preferencialmente chio de boas e deliciosas idéias.

(Profa. Flávia Ferreria Pereira /Revisora machadense)


O PRIMEIRO CONTATO (Cássius da Silva0


Certa vez, na ânsia de concluir um trabalho escolar, cercado de publicações dos mais variados autores e temas, e sem saber por onde começar despertei-me com um clique da minha esferográfica.

Eis que, como um “Deja Vu”, deparei-me com um antigo livro de contos em péssimas condições. O papel amarelado pelo tempo, perfurado por traças, empoeirado e suas páginas mal cheirosas. 

A tinta usada em sua impressão ainda mantinha um bom contraste, o que o tornava legível.

Então, no volver furtivo e detalhado de cada página, eu descobri algo novo: textos envolventes com assuntos, embora de séculos atrás, tão atuais e familiares que passavam não só a mim, mas a quem quer que os lesse  (leiam) uma profunda intimidade com o autor. 

Agora eu já podia empunhar aquela, cujo clique não mais soava irritante, mas frugal.

Tudo era simples, evidente e claro. Eu não precisava mais daquela pilha de publicações, pois tudo estava ali, em cada cor, som, ou lembrança. Daquela ponta esferográfica, as palavras fluíram com naturalidade e deitavam em cada pauta com a suavidade de uma pétala que pousava sobre a relva.

Eu compunha com mais idéias, indeterminado, mais livre. Não havia motivo para se preocupar com “Lapsus Linguae”... Sim era minha primeira crônica. Agora eu sabia que poderia escrever sobre qualquer coisa.

*cronista machadense

Lapus Linguae = erros de linguagem

A FESTA DE SÃO BENEDITO (Maria Eduarda Fernandes)


Chega o mês de agosto
Todo mundo em aflição
Tentando juntar dinheiro
Pra poder comprar de montão

Isso tudo só porque

A Festa de São Benedito chegou
As barracas estão armadas
E as culturas todas juntou

Os desfiles são esplêndidos
Muitas escolas participam
Vendo as congadas e festas
Quase todos se agitam

Quando a festa acaba

Ai que dó, judiação
A rua fica toda suja
E pra limpar, ninguém quer dar uma mão

Pra mudar essa realidade

Basta um conselho seguir:
Não jogar lixo no chão
É fácil, você vai conseguir

*Maria Eduarda Fernandes é poetisa de Machado-MG

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A OBRA DE CARLOS GOMES ( Larissa Ferreira Lucio)


             Quem sabe?

Quem poderia imaginar que um campineiro, sem recursos, sofrido, apelidado de Nhô Tonico  conquistaria o mundo com uma música de ópera mais brasileira do que nunca em um estilo romântico?  Só mesmo com muito talento!Talento que o engrandeceu, o fortificou e o levou além das fronteiras do nosso país, sendo o primeiro compositor brasileiro a ter suas obras apresentadas no Teatro All Scala, na Itália!

O músico ANTONIO CARLOS GOMES, nasceu na cidade de Campinas em julho de 1836. A mãe, Fabiana Jaguari Gomes, fora assassinada aos vinte oito anos de idade, e o pai Manuel José Gomes, o Maneco Músico,  criou todos seus filhos com muita dificuldade e com eles formou uma banda iniciando-os nas primeiras notas musicais.

Nhõ Tonico alternava o trabalho em uma alfaiataria e o  aperfeiçoamento em seus estudos. Aos vinte e três anos, apresentou-se em vários concertos com pai e, nessa mesma época, compôs o Hino Acadêmico das Faculdades de Direito.

Recebeu bolsas para estudar em bons conservatórios rumo à Corte, porém não tinha recursos para partir, até que  apresentou-se pela primeira vez no Teatro de Ópera Nacional, onde foi levado para casa por uma multidão que o aclamava sem cessar.

A primeira ópera do  compositor foi  A Noite do Castelo. Dois anos mais tarde, compôs a ópera Joanna de Flandes, o que lhe rendeu uma mesada do imperador para estudar na Europa. Segundo Vasco Mariz (2000) a  bolsa de estudos era  para a Alemanha, mas o sonho de Carlos Gomes era a bela Itália e somente com a intercessão da imperatriz Tereza Cristina, filha do rei de Nápoles, foi possível a  mudança de destino. 

Feliz com a etapa conquistada, porém com coração apertado por deixar sua amada Ambrosina, sua primeira paixão. Tal tristeza resultou na bela música, Quem Sabe, cantada até hoje por nossa geração.

Nhô Tonico partiu em dezembro de 1863 levando consigo uma carta de recomendação do imperador para o rei Fernando de Portugal a ser entregue ao maestro Lauro Rossi diretor do Conservatório de Milão.   

As condições da bolsa previam uma grande obra nos primeiros dois anos de permanência na Itália. Nesta época, a ópera italiana dominava o mundo e Milão, a capital industrial, mantinha um público sofisticado e grandes editoras, consequentemente, a aceitação de um artista era muito rigoroso  e Carlos Gomes tinha em suas mãos a abertura para  conquistar todos os teatros o mundo.

Nosso compositor iniciou-se na Itália com um estilo ligeiro, ou seja, popular, chamando a atenção do público mais sofisticado para sua  música. Reconhecendo tal fato ele dizia: “Aquela musiquinha de realejo me ajudou a abrir as portas do Scala”.

A Grande ópera prometida para o imperador estava finalizada em 1870, O Guarani, e em março desse mesmo ano, foi estreada mais de 12 vezes com inúmeros aplausos. No seguinte, houve 15 récitas. Agora, o que tudo isso quer dizer? O que o Guarani, em especial, significou para o Brasil?

A partir da noite memorável de 1870, o Brasil nasceu para o mundo musical. Esse é o verdadeiro significado de O Guarani, a ópera nacionalista, uma mistura da essência das músicas de realejo e de ópera italiana.

Apesar de não ser sua maior obra, foi a que o imortalizou. Voltou ao Brasil diversas vezes para apresentações e por fim tomar posse do cargo de diretor do Conservatório do Pará, mas já  estava com a saúde muita debilitada.

Faleceu em 16 de setembro de 1896 no estado paraense, não chegou a assumir seu cargo no Conservatório. O corpo do compositor ficou exposto no conservatório de Música no Pará por 2 dias e após isso, ele foi sepultado em Campinas, sua cidade natal.



Larissa Ferreira
Licenciatura em História
Cesec- Machado
Pós Graduação em Psicopedagogia e Educação Inclusiva

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

RAIZ SUL MINEIRA

Oriel Rezende (o mestrando Buiu) fundou em Caçapava (SP), o grupo de capoeira “Caminho do Sol”. Posteriormente, Oriel ao mudar-se para a cidade de Alfenas-MG, alterou o nome para “Raiz Catinguelê”. 

 Como o número de pessoas interessadas cresceu, passou a designar-se definitivamente como “Raiz Sul Mineira”. Graças ao seu fundador, o grupo se espalhou em várias regiões do Brasil e Europa.

Trazida pelos escravos, a capoeira “Angola” (tradicional e de movimentos lentos), passou por algumas modificações, gerando novos estilos como: o “São Bento Pequeno”, ”Angolinha”, “Yuna” (jogada antigamente só pelos mestres); a “Benguela” e o “São Bento Grande”(este último de movimentos rápidos e ligeiros)

Em Machado, o Raiz Sul Mineira tem como responsáveis pela sua divulgação e desenvolvimento, os integrantes: Altieli Aparecido dos Santos, e Aclésius de Souza Mota que se dedicam de corpo e alma a este esporte. Altieli aprendeu os primeiros movimentos com o amigo Marcelo (que praticava  há algum tempo com o mestre Falcão).

Aclésius se interessou ao ver alguns praticantes “jogando” (praticando) na rua onde mora. “Aquilo trouxe-me uma energia positiva a qual nunca mais me deixou.”, disse.

O grupo não tinha, até então, um local apropriado para exibições. Mas, com o empenho da Presidente Sueli (Associação dos Congadeiros de Machado-MG), esse problema deixou de existir. Tempos depois, Altieli e Aclésius foram convidados pela Diretora Dona Luíza (E.E. Paulina Rigotti) a fazerem parte do Projeto “Tempo Integral” onde ensinariam aos alunos a origem, a arte e filosofia da capoeira.

Um projeto que visa trabalhar com os alunos do C.A.I.C e A.P.A.E, foi  desenvolvido por Altieli e pelo Prof. Paulinho Siqueira.

O Raiz Sul Mineira de Machado agradece o apoio dos seguintes patrocinadores: Sr. Adilvo (Bomboniere), Venak Tecidos, Supermercado Alaska, Todescato, Supermercado Silva e Café Itaguaçu.


O som do berimbau unindo Brasil e África... É a capoeira...!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A MÚSICA (João Lucas de Paiva)

Música, arte antiga. Arte divina. Para os anjos, uma oração, para os homens a linguagem da alma. Só há música quando há sentimento. A música tem um idioma próprio, tem jeito próprio. E no meio das notas, das harmonias e melodias é preciso muito mais do que um bom ouvido para entendê-la. É preciso sentir. Quantas vezes choramos ao ouvir uma música? Uma música não precisa ter letra para transmitir algo.

Uma música não precisa ter uma “receita”. A música não tem rótulos, pode ser rock, sertanejo, clássica ou aquele sambinha de fim de tarde. Não importa qual é o seu estilo, música sempre será música.

As pessoas dançam conforme a música. A música não dita as suas regras, a sua tendência. A música não deve seguir uma moda. Mudar é preciso, e a música muda conforme você muda.

“O homem quando está em paz não quer guerra com ninguém...” Quantas vezes uma música nos acalma. Quantas vezes resolvemos tomar uma decisão após ouvir uma música. Para aqueles que fazem música, tomem cuidado: “A música é formadora de opiniões”...

A música traz boas lembranças, lembranças de um tempo que não volta. Lembranças de uma fase em nossas vidas onde o mais importante não era o dinheiro ou o poder, mas uma louca busca pela felicidade. Devemos guardar essas lembranças, pois “quando a gente gosta é claro que a gente cuida.”

Com a música percebemos que o tempo não para, na verdade, passa depressa e nós teremos sempre todas as idades. Viveremos a música de uma forma diferente. Hoje seremos sempre melhores do que fomos ontem e piores do que seremos amanhã. Assim buscaremos sempre melhorar, não só para uma conquista pessoal, mas para um melhor convívio com o mundo.

O samba, ritmo nacional, presente no sangue de qualquer brasileiro. Um gênero musical que tem a nossa cara, a cara do Brasil. Gênero que transmiti a felicidade desse povo, um povo sonhador e feliz. 

Embala desde o carnaval até o pagode. Reunir os amigos, as histórias e o amor pela música faz as pessoas pensarem na vida, faz pensar naquilo que realmente é importante. “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar...”

Quantos casais foram formados a partir de uma música, quantas pessoas já disseram o que sentiam com apenas um verso. A música está sempre presente nos carinhos entre duas pessoas. O amor sempre estará na poesia de quem canta e, somente, essas pessoas farão de uma história um simples e sincero relicário.

Criatividade, talento, estudo, sentimento e um toque de originalidade. A música acontece de acordo com o momento. Não é preciso compor, não é preciso letra e muito menos das suas regras. A música é livre, e a mistura de estilos torna-a sempre mais bela e nos mostra que na música não existe preconceito. 

O improviso mostra o controle do músico sobre o instrumento. Mostra que para a música não existe barreiras e ela sempre toca onde nenhuma outra arte consegue.

*João Lucas de Paiva é músico

Obs: este texto foi enviado por Bruna Gonçalves (formada em Letras)

terça-feira, 21 de junho de 2011

CARTA ASTRAL

Ninguém sabe que pela noite
Sou gata de telhado e de lua.
Que passei eternidades
Lambendo as minhas feridas,
Marcando territórios,
Os machos que abriguei são extintos
Os filhos que pari desapareceram.

Meus olhos já viram demais
Meu corpo é descomunal
Mas a minha mãe ainda chora acalantos
Reza por mim
E me dá as suas saias.

Não sabe que pelas noites
Tento sugar sua ferida
Tecendo um manto novo
Com meu próprio sangue.


Não sabe que a medida do meu corpo
Cobre a sua sombra
E que as minhas sete vidas
Estão mortas.



*Jennie Carrasco é poetisa equatoriana


jenniec55@gmail.com