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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

OBRIGADO, RIO MACHADO


Velho rio que corre
Tua missão é correr sem parar.
Tuas águas a borbulhar.

Ah!velho rio, se tu pudesses falar
Quantas e quantas histórias
Tu terias pra contar.

Mil livros não dariam,
Pra escrever tuas histórias
Histórias tristes e alegres
Derrotas e vitórias.

Ninguém sabe tua idade
Mas tem coisas importantes
No teu leito foi encontrado
Um machado perdido pelos bandeirantes.

Velho rio que corre,
Curvas, baixadas e cachoeiras,
Atravessando florestas,
Alcançando fronteiras.

Tuas pontes majestosas
Ligam uma margem à outra
Dando acesso às rodovias encurtando distâncias
Transportando riquezas.

Ah! velho rio Machado
Receba a nossa gratidão
É tuas águas que abastece
A nossa população.

* Nercy Maria de Lima Pereira é poetisa (Machado-MG)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

BAD GIRL !




Bad Girl!






Daniela de Aguiar Lopes, 15 anos, era dançarina do Nsinc, grupo dirigido pelo professor Washington. Devido as constantes divergências o grupo se desfez. Sua amiga, Thayna, a convidou para participar de um evento tradicional no bairro Jardim das Oliveiras, organizado pelo morador Joel.

Era julho de 2007 quando Daniela chamou suas amigas, Edna Vieira Carvalho (14) – dançarina da CD Academia –, Camila Gonçalves Pereira da Silva (15), Monike Cristina Oliveira (12) e Jéssica Pimentel de Souza (13). Foram aplaudidas com entusiasmo pelos moradores do bairro.

Isso as incentivaram a participar de outros eventos realizados na Praça Central e nas escolas. Thayna, que havia participado inicialmente, foi obrigada a sair devido às pressões de seus pais; fato que deixou as amigas muito chateadas.

Como era preciso dar um nome ao grupo, Daniela sugeriu “Princess” (Princesa). Entretanto, por gostarem da cantora Beyoncee e do grupo Pussycat Dolls adotaram o nome Bad Girl (Garota Malvada). Uma das maiores dificuldades foi conseguir patrocínio.

Mas, como eram perseverantes conseguiram apoio de lojistas que acreditaram em seu potencial: Alta Rotação, Livraria Católica, Pet Shop (Vida de Cão), Mercearia Carvalho, Transiqueira (Materiais para Construção) e Status Modas.



Contatos: Daniela (35) 8409-2257 ou Jéssica (35) 3295-6881 / Machado-MG.

domingo, 12 de outubro de 2008

ASAS ( PACTO DOS ANJOS)


Você era um anjo
Que decidiu voltar às estrelas
Implorei para que não fosse
Nas estrofes de um singelo poema.

“Meu Sonho”, eu lhe dediquei,
Mas, ao ouvi-lo, partiu,
Em silêncio permaneci e chorei...

Mas, como por encanto retornou...

Levou-me para bem longe
Próximo à beira do mar.
Retirou suas asas
Oferecendo-as às ondas insanas.

Bem longe dali, uma criança triste estava,
Sem esperança de andar e de viver.
As ondas, agora serenas,
Entregaram-lhe um presente...

Ao tocá-las, seus pés se moveram,
Seu coração voltou a bater mais feliz,
Sua alma e seu espírito outrora em conflitos
Em paz agora estavam em vigília...
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Dedico este poema a uma grande mulher: um anjo chamado Clara Arruda.

*poema de Agamenon Troyan
machadocultural@gmail.com

MSN(machadocultural@hotmail.com )

sábado, 13 de setembro de 2008

O ANJO SE FOI (ADEUS A BETH GIRATA)


O ANJO SE FOI (Adeus a Beth Girata)
Como um relâmpago

Ela entrou em nossas vidas,

Tão inesperadamente como saiu.

Não deixou rastros

E nem carta de despedida,

Nosso anjo retornou às estrelas.

Suas asas cobriram-nos,

Devolvendo-nos a vida

.Retirando-nos o gosto amargo de viver,

Vivendo em nossos corações...

Beth retornou às estrelas

Deixando-nos órfãos

Tristes, de corações vazios.

Somos agora prisioneiros sem cela

Que, ao sermos despertados pela luz da manhã,

Buscamos refúgio ao final do dia

À espera do seu retorno

Que a noite nega-se a permitir.


De: Carlos Roberto de Souza ( Agamenon Troyan)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

AMIR MIGUEL, O MAESTRO DO POVO

O Episódio Cultural foi até Serrania-MG conhecer um cidadão que há anos vem formando novos músicos sem nunca ter recebido apoio do setor público e privado: Roupas, sapatos, instrumentos, métodos... Toda essa falta somada a uma grande dose de paixão pela música faz do maestro e carnavalesco Amir Miguel, 67 anos, um dos baluartes da nossa cultura. Ele foi atraído pela música desde pequeno. Seus pais, Antônio Miguel Sobrinho e Marieta Moreira M. Sobrinho sempre o incentivaram não só a ouvir como também a tocar.
Autodidata e fã de Agnaldo Timóteo, Francisco Alves, Dalva de Oliveira, Francisco Egídio e Agnaldo Rayol, aos 12 anos já tocava trombone, piston, sax e teclado. Uma das pessoas que o ajudaram a aprimorar-se foi o maestro Emílio Rodrigues, natural de Areado, que durante 20 anos lecionou em Serrania. O pai de Amir, cujo apelido era “Totonho”, também foi um grande defensor da cultura.
Nos anos 50, ele mantinha uma banda (a Lira Serraniense) e uma companhia de teatro amador que se apresentava na região com peças adaptadas de antigas revistas de teatro. Um dia a cidade ficou em polvorosa: o Circo Teatro Índio do Brasil, mais conhecido como o “Circo do Pelado” estava chegando!
O palhaço “Pelado”, juntamente com o seu filho, Waldemar Augusto, o palhaço “Bigola” – ambos de Martinópolis (MG0 – por muitos anos exibiram seu espetáculo no sul de Minas. Amir – que já tinha experiência de palco – acompanhava o circo apresentando-se como palhaço durante as férias na antiga fábrica de queijo.

Um dos sonhos de Amir era oferecer um ensino gratuito de música para os jovens. Como não encontrou nenhum apoio resolveu encarar o desafio sozinho. Por vários anos ensinou e formou novos músicos sem ganhar nada! A notícia espalhou-se pela região atraindo a atenção de Jornais e Redes de TV. A bateria usada para ensinar foi presente de um ilustre filho de Serrania, o jornalista Ney Gonçalves Dias.

Com os seus alunos, Amir montou a “Banda Show Antônio Miguel Sobrinho”. Essa banda – que também não recebia nenhum apoio – se apresentava na praça ora com alunos jovens, ora com adultos. “A música possibilita que as pessoas fiquem mais sensíveis à vida”, disse o maestro.

Contatos: (35) 3284-1449 / Serrania-MG

domingo, 9 de março de 2008

OS DESAFIOS DA DIGNIDADE HUMANA


Muitas vezes me pergunto os porquês de escrever sobre a dignidade humana. Algumas pessoas podem achar que é loucura... Alguns até, numa corrente americanizada dizem que a Dignidade é um conceito inútil. Ora, eu vivo num país, de origem latina, que preza muito as questões do sentir, do tocar, do olhar o outro. E também pela minha própria constituição humana que me faz sentir um grande inconformismo com as questões sociais tão gritantes em nosso país.


Por que Dignidade? O ser humano possui dignidade inerente em qualquer situação? O que é dignidade? De onde ela vem? E qual seu fundamento através do tempo? Animais possuem dignidade? Por que Kant fez a dicotomia: pessoa possui dignidade e coisa possui valor? Algumas outras perguntas de fundo mais teórico também permeiam as razões da minha investigação. Ética e dignidade são aliadas? Dignidade está implícita nas regras morais? Dignidade é um conceito inútil?

O fim da Segunda Guerra mundial trouxe grandes mudanças sociais. Ao se defrontar com o uso destruidor da potencialidade científica e tecnológica evidenciado pela guerra, acrescido de enormes arbitrariedades, surge uma busca crescente de parâmetros éticos. Desde o Código de Nuremberg em 1947 e ao advento da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, busca-se reconhecer o valor da vida, a importância ao respeito pelo ser humano em sua integridade e conseqüentemente assegurando sua dignidade no viver.


Paralelamente os avanços científico-tecnológicos tomaram proporções gigantescas neste último século. A descoberta de vacinas, de medicamentos, de formas de tratamento, trouxe o fim de inúmeras doenças e grande parte de outras já não se tornam mais assustadoras e letais quanto antes. Enquanto isso a industrialização crescia, a economia mundial se desenvolvia na sombra do ideal capitalista, proporcionando uma verdadeira explosão no que tange a tecnologia: computadores, celulares, fibra ótica e uma infinidade de outros materiais e equipamentos que se tornaram úteis pra vida humana.


Já em 1948 foi promulgada a Declaração Universal dos Direitos do Homem, importante passo para a mudança no modo de agir e refletir humanos. O maior legado deixado pela Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 é a prerrogativa de que todos os seres humanos em suas diferenças biológicas, históricas, religiosas e culturais, são merecedores de respeito, individualizando-os, como únicos. É o reconhecimento de que ninguém, independente de raça, gênero, etnia, classe social, nação, ou vertente religiosa pode se considerar superior aos demais.


A dignidade humana, aquisição de um valor fundamental, sem preço não é um conceito único. Pressupõe-se que a dignidade seja inerente a todas as pessoas e por essa razão, busca-se adequar o termo para se compreender qual o papel da dignidade no discurso da vida. A busca de um conceito está longe de ser concluída, mas certeza existente é que só se reconhece a dignidade em si mesmo e se percebe a utilidade deste conceito quando reconhecemos no outro o valor fundamental e inestimável do ser digno.


No próximo Episódio Cultural falarei sobre a Eutanásia.

* Renata Santinelli é mestre em Bioética e professora do curso de Serviço Social do CESEP.
renatasanti@yahoo.com.br

EUTANÁSIA, DE QUE MORTE ESTAMOS FALANDO?


Eutanásia: de que morte falamos?


De: Renata Santinelli

A partir de perguntas de difícil resposta começo a reflexão. O que é morte? O que é morrer? Por que atualmente sentimos verdadeiro pavor ao falar em morte. Para responder estas questões lembre-se aqui que até meados da década de 60 a morte era um acontecimento social. A pessoa passava seus últimos minutos ao lado de familiares e amigos, repleta de carinho e de cuidados. “Venha tomar benção do se avô que está indo para o céu, menino” – Diziam as pessoas.
Crianças participavam, era natural. Após a década de 60 surgiu o conceito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Não que as UTIs não somam grande avanço na medicina. Somam sim. Mas, com o surgimento das mesmas a morte passou a ser impessoal. Crianças devem ficar longe, a pessoa faz a passagem cercada de tubos e máquinas e aqueles provedores de todo carinho pelo enfermo passam a olhá-lo apenas e pelo vidro.
Essa mudança no conceito de morte trouxe algumas novas reflexões dentre elas a Eutanásia.


O que é Eutanásia?
Atualmente Eutanásia é a ajuda oferecida ao moribundo por parte do médico consciencioso e atento aos sofrimentos e angústias do enfermo. Existem várias formas de eutanásia, mas nossa reflexão não será técnica e sim, humana.


Deixo pra você meu caro leitor para discutir em casa, com a família, com seus amigos e seus colegas de trabalho. Será que do mesmo modo que somos ajudados a nascer, devemos ser ajudados a morrer? Será que nosso ordenamento jurídico não deveria se preparar para melhor compreender a vontade de pessoa enquanto ela pode expressar suas vontades e, por que não expressar que se estiver em sofrimento que seja ajudada a deixar a vida? Para finalizar deixo um trecho da obra “Morte e vida Severina” de João Cabral de Melo Netto para apimentar a discussão. De que morte falamos?

“E somos Severinos; iguais em tudo na vida; morremos de morte igual, da mesma morte. Severina. Que é a morte que se morre; de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte; de fome um pouco por dia. De fraqueza e de doença é que a morte Severina, ataca a qualquer idade, e até gente não nascida.” (João Cabral de Melo Netto)


No próximo Episódio Cultural falarei sobre BIOÉTICA E SUAS ORIGENS.


*Renata Santinelli é mestre em Bioética. Professora da Faculdade de Serviço Social do CESEP/ renatasanti@yahoo.com.br
[1] Mestre em Bioética. Professora da Faculdade de Serviço Social do CESEP / renatasanti@yahoo.com.br
A palavra Eutanásia vem do grego: eu (boa) thanatos (morte), é morte boa, sem dores e angústias. No século XVII, Eutanásia passa a significar o ato de por fim à vida de uma pessoa enferma.Em seu conceito clássico Eutanásia é tirar a vida do ser humano por considerações “humanitárias”. Bom esse conceito abre a uma enorme reflexão e por isso não mais utilizado.

VINÍCIUS NA PAULICÉIA

Em dezembro de l965, repórter de "A Gazeta", da Fundação Cásper Líbero, fui fazer uma matéria com o Poeta mais famoso da época, Vinicius de Moraes. A turma do Poetinha como era carinhosamente reconhecido iria dar um show no Teatro Municipal de S. Paulo, em benefício às instituições de caridade. O convite partiu de dona Zilda Natel, esposa do Prefeito de S. Paulo, Laudo Natel. Era por volta das 21 horas, quando o meu Chefe de Reportagem, Hélcio de Castro, recomendou-me a entrevista: -Já que você é literato, faça a entrevista com Vinicius de Moraes, que está ensaiando no Municipal! Entregue-a antes da meia-noite, no fechamento da edição!

E lá fui eu contente, pois era admirador incondicional do mestre Vinicius para a cobertura. Já o tinha conhecido antes no Rio, no famoso bar Antonio's, em Ipanema. Naquela época, andávamos duros, sem um tostão no bolso e o nosso grupinho de candidatos à Literatura ficávamos numa choperia em frente batendo papo em Inglês, pois ali freqüentava muitos turistas americanos e quando algum deles notava que nós falávamos a língua materna pagava alguns chopes para atravessarmos a noite carioca. E foi pelo vidro em frente, que notei a presença de Vinicius e fui depressa invadir sua privacidade e bater papo com o Poetinha.
Falei-lhe que estava mudando para S. Paulo e dei-lhe meu endereço. O xará, Marcus Vinicius, foi atencioso e semanas após, mandou-me um livro de presente "Para Viver um Grande Amor".

Dito e feito fui lá com o fotógrafo Rebello para a reportagem. Quando adentrei o Municipal estavam terminando o ensaio da primeira parte do espetáculo. Vinicius e toda a sua turma carioca: Tom Jobim, Baden Powell, Toquinho e outros elementos destacáveis no cenário musical nacional. Aproximei-me e já fui falando: Vim para uma entrevista.
Está disponível? O Poeta reconheceu-me e disse prontamente: -Foi bom que você veio? Já estava passando da hora de "bicar” um pouquinho.Levei para o bar da moda: Juan Sebastian Bar. Vinicius já foi pedindo seu uísque predileto. E o "capitão-do- mato, poeta, diplomata, o branco mais preto do Brasil já foi falando: -Precisava vir urgentemente a São Paulo para desfazer um equivoco. Atribuíram -me que tinha dito que "São. Paulo era o túmulo do samba". Nada disso, gosto da Paulicéia e algum jornal publicou a frase. A convite da Prefeitura vim mostrar o nosso amor a São. Paulo pela sua terra e sua gente...


Perguntei-lhe dos livros publicados e o Poeta retrucou: -Vamos falar de temas mais amenos: como o do Amor e evidentemente a Mulher. A propósito do livro "Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito: é preciso também ter muito peito - peito de remador.
É preciso olhar sempre a bem- amada como a sua primeira namorada e sua viúva também , amortalhada no seu finado amor."Continuou: “Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo/ Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz/ A flor dos lábios entreaberta para o beijo/ A pele a fulgurar todo o pólen da luz".
Sobre a solidão falou: "A maior solidão é a do ser que não ama, é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo."

E assim viramos a noite batendo papo e o poeta recitando parte de seus versos. Quando dei pela coisa, tínhamos esvaziado algumas garrafas de uísque e os raios de sol já apareciam no horizonte. Eram seis horas da manhã e os garçons de braços cruzados aguardavam a nossa saída. Dei conta de que não aparecera no jornal para entregar a reportagem, que quase me valeu o bilhete azul do Editor. Mas no fundo estava aliviado: tinha conversado com o Poeta Maior.

Fui visitá-lo antes, de sua morte no Rio de Janeiro, em julho de 1980. E carrego ainda comigo os seus versos daquele encontro, em que aprendi que a poesia é ave que nos transporta para o infinito e somente ela poderá salvar o mundo de amanhã. Vinicius de Moraes, antes de partir, deixou-nos esta mensagem: "Meus amigos, se durante o meu recesso virem por acaso passar a minha amada/ Peçam silêncio geral. Depois/ Apontem para o infinito. Ela deve ir/ Como uma sonâmbula, envolta numa aura/ De tristeza, pois seus olhos/ Só verão a minha ausência”.


*Marco Antônio Soares de Oliveira é jornalista e escritor