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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

PROFUSÕES (Olga Caixeta)



PROFUSÕES
(Olga Caixeta)

Todas as fraquezas e todas as misérias humanas vieram à tona e cobriram a tela da TV por um longo tempo e todos nós pudemos assistir, comparar, assumir em nossas vidas muitas passagens que, certamente, fizeram parte do cotidiano imprevisível que assombra os nossos melhores momentos.
Notamos durante muito tempo o quanto nos parecem longos os passos incertos que tiram nossos pés do chão, derrubam o nosso espírito e consomem nossos corações.
É até engraçado pensarmos que somos todos personagens de infinitas passagens, sem nos darmos conta do que estamos vivendo e, infinitas são também as vezes que fazemos comentários sobre o que assistimos sem percebermos a cumplicidade entre as situações.
Tudo é tão igual e algumas vezes o que é real supera o que se apresenta na tela.
Estou aqui falando da novela das nove “Amor à Vida” e dos seus últimos capítulos.
Depois de centenas de atropelos, traições, mortes, roubos, brigas, separações aconteceu o inesperado: o amor representando a única possibilidade de o ser humano ser feliz, sentir-se bem consigo mesmo e justificar a sua relação com os outros.
O que corre na net é o beijo dos homossexuais e pude ler comentários dizendo que “ até que enfim a televisão mostrou estar quebrando tabus e etc...”
Não quero me ater ao fato, mas àquilo que foi o fechamento: a cumplicidade entre pai e filho e o desvendamento do sentimento escondido e maltratado no coração dos personagens, César e Félix.
Se prestarmos atenção, no decorrer dos capítulos havia uma luta interior no personagem Félix, o filho, pelo fato de não ser reconhecido, não ser amado.

Tal fato fez dele uma criatura sórdida, má, inconsequente e, só depois de ter passado por situações mais difíceis também para ele, a questão econômica, e encontrado uma mão estendida, não para oferecer dinheiro, mas carinho, atenção, amor e que exigiu dele uma determinação de atitude refletida, foi capaz de mudar.
Mudou e mudou tanto que foi capaz de reconhecer suas fraquezas e entregar-se de vez à mostra de seus sentimentos.
O fato pode parecer bobo para muitos, mas para mim foi surpreendente. Exalou um certo ar de sublimidade que intimidou todas as outras passagens de desafetos e asperezas.
Li uma mensagem do Papa Francisco para o XXII Dia Mundial do Enfermo 2014 na qual ele diz: “ Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cura, levamos a esperança e o sorriso de Deus às contradições do mundo”.
Ele fala aqui da enfermidade do corpo e eu falei antes da enfermidade da alma. Todos nós sabemos que nenhuma das duas situações é melhor ou pior, mas é certo que tanto uma quanto a outra são dizimadoras do ser humano.
O final da novela foi providencial para falar de um assunto sobre que muita gente foge: coisas do coração que descontrolam sobremaneira nossos pensamentos e nossa força de ação.
De forma geral, quando o assunto é o próprio EU intimidamo-nos, pois o maior costume de todos nós é expor o Outro e escondermo-nos atrás de nós mesmos.
Achamos todas as lições de amor bonitas, mas não expomos a nossa ou nem nos damos conta de que poderíamos viver uma. A sensibilização acontece-nos e passa como um vento lá fora.
Sofremos por causas infinitas e guardamos a sete chaves toda a ira que corrói a nossa vida, pois acostumamo-nos ao espírito de vingança que nos traz a sensação de donos do poder.
Apesar de todos os escrachos que “Amor à Vida” deixou rolar por um bom tempo, o seu final garantiu-nos um tanto de emoção, algumas lágrimas e muitos comentários. Não importa que tenha sido sobre o beijo homossexual, já que ele é amor.
Se amar é em si mesmo um estado de leveza espiritual só ele, o amor, será capaz de lavar todas as manchas que encobrem o favorecimento de uma boa ação.
Falar de amor no facebook não é a mesma coisa que segurar as mãos de alguém, não é a mesma coisa que desvendar no nosso coração a força da vida.
Vivemos uma época difícil, sem muitas explicações ou respostas, uma época de relatividade sem mesmo entendermos bem seu significado, mas suponho que qualquer ser humano responderia para si mesmo sobre seus sentimentos.
O que eu realmente sinto quando sinto algo infinitamente forte brotar em mim e eu sei que posso responder com certeza: É Amor?
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*Olga Caixeta é professora de Português, poeta e membro da Academia Machadense de Letras


Foto fonte: http://veja.abril.com.br/blog/quanto-drama/tag/felix/page/3/





segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ORQUESTRA MONOFÔNICA (Olga Caixeta



Não sei se para ouvir essa orquestra será necessário receber um convite. Penso que não. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.
Todos os dias alguém dá o tom e a música começa, mas não é nenhum Mozart ou Strauss com sua belíssima “ Danúbio Azul”. São as graciosas cigarras que se agrupam e entoam o seu canto.
Fico imaginando o regente dessa linda orquestra que parece o sambinha de uma nota só.
Lembro-me, então, da antiga historinha da Cigarra e da Formiga que tanto nos contaram quando éramos crianças ainda, com o intuito moralizante: enquanto as formigas trabalhavam exaustivamente, armazenando alimento para o inverno, as cigarras só cantavam, acreditando estarem alegrando os céus com um “Hino ao Amor” e agradando a todos os ouvintes.
Se há tanto tempo não faziam nada e só queriam mesmo cantar para passar o tempo, habituaram-se à rotina cantante e, segundo o velho ditado, “quem só aprendeu a fazer nada, depois de ter aprendido tal ofício, dificilmente se livrará dele”.
E sabem do melhor?  Esse grito todo que ouvimos é dos machos que gritam assim para atrair as fêmeas, e elas têm um canto muito baixo... depois dizem que as mulheres é que falam muito....
E quanto as suas contraparentes, as pobres formigas? Além de trabalharem tanto não tinham outra escolha a não ser ouvir o canto exasperante das cigarras.
Hoje, não ouço mais as histórias; vejo-as no real. As formigas, mostrando-se cumpridoras de seu dever, entram em nossas casas, vasculham doces, bolos e gostam até de pizza.
Nada lhes passa despercebido e, não adianta querer acabar com elas. Você mata umas e outras aparecem em dobro como se brotassem uma após a outra num piscar de olhos.
As cigarras não ficam atrás. Deixe alguma janela aberta no cair da tarde e você vai ouvir bem de perto uma das participantes da grande orquestra fazendo solo no mais alto grau, bem ao seu ouvido.
Elas se agrupam nas árvores... seu lugar preferido. Ah! E não passe por baixo, pois é bem possível você receber umas boas gotas de suas necessidades caírem-lhe pelos braços. Sem nenhum acanhamento, elas brincam, cantam e se enveredam por espaços que não fazem parte do seu habitat. Vez que outra morrem;  não conseguem se libertar de algumas quedas.
Quantas seriam necessárias para fazer um barulho tão alto? Quem ouve pensa que muitas, mas uma só já mostra uma potência de garganta que ensurdece.
Dizem que cantam para chamar a chuva, mas será que essa chuva fica tão longe assim para terem de gritar o dia inteiro? Santo Deus!
Dizem também que cantam até estourar; aí quedam-se. Por que tanto masoquismo? Será que têm consciência do que fazem?
E quando vem a chuva, onde será que se escondem? Ou ficam se molhando ao sabor do vento?
Não sei se alguém já procurou saber sobre isso; já li que entre os insetos, as cigarras são as únicas que produzem o som estridente que todos conhecem. Algumas das espécies maiores conseguem atingir os 120 decibéis com facilidade, enquanto outras menores realizam a proeza de alcançar uma sonoridade tão aguda que seu canto simplesmente não é percebido pelo ouvido humano, embora cães e outros animais possam chegar a uivar de dor por causa dele.
As cigarras estão presentes em quase todas as regiões do mundo, tanto em climas quentes como frios e existem mais de 1 500 tipos diferentes delas.  Normalmente, são encontrados em regiões de florestas tropicais, mas também podem ser encontrados em outros tipos de vegetações.
Seu desenvolvimento completo pode durar de 1 a 17 anos. As ninfas vivem enterradas até a maturação, enquanto os adultos habitam árvores e plantas, alimentando-se da seiva. Assim como os cupins, as cigarras estão entre os insetos mais longevos do planeta.
Sabemos ainda que sua importância no ecossistema é positiva, por um lado, por servir de alimento para os predadores e, negativa, por outro, porque constitui-se em pragas de algumas culturas.
Mas, prefiro ficar só com as lembranças da historinha que remete a um bom tempo da áurea vida que não volta mais. E como também gosto de cantar envolvo-me no tom e dou o meu troco. Não a ponto de estourar. Mas canto.

*Professora de Português e Membro da Academia Machadense de Letras

terça-feira, 16 de julho de 2013

O DIA EM QUE RAPTARAM O PAPA (Roberto de Souza)



“O DIA EM QUE RAPTARAM O PAPA”
(Roberto de Souza)

Com o sucesso da estréia que ocorreu na noite de 11/07 no Shopping da Gávea (RJ), no sábado (13/07) fui prestigiar a peça “O Dia em que raptaram o Papa”, interpretada por grandes nomes da teledramaturgia brasileira como: Rogério Fróes (Senhora do Destino, Vale Tudo, O Bem Amado e Selva de Pedra), Débora Olivieri (O Profeta, Castelo Ra Tim bum, Toma Lá da Cá e Guerra dos Sexos), Marcos Breda (Sítio do Pica Pau Amarelo, Vamp, O Tempo e o Vento), Renato Rabelo (O Profeta, Cobras e Lagartos, Hilda Furacão e A viagem) e o machadense Fabio Bianchini (Ti Ti Ti, Dercy “de verdade”, Guerra dos Sexos e diversas campanhas publicitárias).

Com um texto inteligente escrito por João Bittencourt, a trama se passa na cidade de Nova York, durante uma visita do Papa à cidade, contando a história de um taxista judeu que, de repente, seqüestra o Pontífice e o leva pra casa onde mora com sua mulher e dois filhos. Tudo resulta numa grande confusão, que envolve desde os vizinhos aos chefes de Estado do mundo inteiro, em prol da paz mundial.

O espetáculo estreou na década de 70 no Rio fez um grande sucesso (é pura comédia). A montagem tem a direção precisa do renomado João Aguiar, grande publico e super divertido.

Grandes nomes do Teatro e Televisão estiveram presentes, como o diretor Wolf Maya e o ator e dublador Nizo Neto (filho do saudoso Chico Anísio, que interpretou o personagem “Seu Ptolomeu” na “Escolinha do Professor Raimundo”). Fabio Bianchini faz o Xerife que tenta de todas as maneiras libertar Vossa Santidade, o Papa.

Com uma excelente apresentação, a peça levou o publico a dar imensas gargalhadas, vale a pena conferir.
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O Dia em que Raptaram o Papa
Teatro Clara Nunes
Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea-RJ
Em cartas até Setembro