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terça-feira, 24 de junho de 2014

A REVOLTA DOS CÃES



A REVOLTA DOS CÃES

Carlos Roberto de Souza



Moro em uma rua cujo nome é “Andorinhas”. Até aí nada demais. Entretanto, o problema não são as andorinhas (que nem dão suas caras por aqui), e sim uma manifestação canina que vem crescendo a cada dia.

Eles latem com todos os pulmões, dividem as pulgas e não os pães, correm atrás de desavisados e mordem seus calcanhares só para “aporrinhar”. E para fechar a fatura: defecam em quase toda a extensão. Creio que nem todas as andorinhas reunidas in loco seriam capazes de produzir tanto dejeto!

Alguns deles foram gentilmente trazidos pelos moradores, porém os próprios jogaram a tolha no mesmo dia, ou seja, deixaram os caninos à mercê do seu instinto de sobrevivência. É mole!?

Os cães de hoje são espertos, e já formaram até sindicatos.

Você duvida? Então chute algum pela frente ou jogue uma pedra para ele se afastar, é bem provável que um bando surja e ponha você pra correr; e ai daquele que comprar a briga!

Quando se caminha por esta rua não dá pra saber o que é asfalto ou buraco... Tudo foi tomado pelas fezes. Nessa hora você não acha o dono da arte e muito menos a cara do “patrão”, já que o quadro revela que os cães começaram uma revolução.

O grito de guerra!? Ora não poderia ser outro senão: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira” (olha a marchinha gente!).

De vez em quando eu vejo o meu cachorro da raça Pinscher cochichando com um desses comparsas junto ao portão. Humm! Sei não, mas acho que o meu cachorro está me traindo...

Vou ter que pisar em ovos daqui pra frente. Enfrentar esse baixinho é moleza, mas um bando de “tomba latas” revoltados “é osso”.



*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras

quinta-feira, 15 de maio de 2014

E O OSCAR VAI PARA...


E O OSCAR VAI PARA...

*Carlos Roberto de Souza

 

No dia 09 de março deste ano, O Fantástico exibiu uma reportagem sobre o abandono estrutural e humano do ensino público. Tal matéria meu causou espécie: como pode o Brasil – que se vangloria membro do B.R.I.C.S [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] – manter escolas sem condições de ensino onde alunos e professores sofrem indignados?

A reportagem mostrou escolas de Alagoas, Pernambuco e Maranhão literalmente sem teto, sem água potável, carteiras quebradas, chão esburacado e sem banheiros (em algumas tanto alunos quanto professores faziam suas necessidades no mato). Os alunos tinham que acordar de madrugada para pegar um “caminhão pau-de-arara” até às escolas. Outros eram obrigados a percorrer uma longa distância a pé em lamaçais. Um quadro patético!

Eu me pergunto onde está o tão difundido projeto “Criança Esperança” da Rede Globo, causador de euforia e lágrimas? Onde os políticos – cujos filhos formados nas melhores universidades – esconderam o que sobrou de sua pífia vergonha? Ah, que saudade dos atos estudantis da década de 1960, quando Jovens saíam às ruas para protestar e enfrentar a truculência da Ditadura... E o que restou da nossa Democracia mundana? Nada a não ser uma “Faixa de Gaza” cujas pedras são insuficientes para atingir o âmago do caos.

O Governo (municipal, estadual e federal) merecia uma indicação ao “Oscar de Efeitos Especiais” devido à violência urbana gratuita, drogas vendidas e consumidas a céu aberto, roubos, sucateamento do ensino público, desvalorização do professor e pelos buracos [plagiados da trilogia “Jurassic Park”] que tomam milagrosamente nossas ruas e avenidas.

O tapete vermelho da infâmia foi estendido; Sobre ele veremos os mais sórdidos políticos, tecnocratas e candidatos ao vestibular da roubalheira caminharem com altivez. O que mais me intriga, porém, é saber que com o passar do tempo, tudo isso será esquecido para ceder (em primeira mão) colunas para os babados, furos jornalísticos e meia página para os jardineiros dedurarem seus chefes.

Portanto, alegrai-vos! Pois novamente seremos lobotomizados com o que não enxergamos além dos nossos narizes.

 

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*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras.

GOOOOOOOL...


GOOOOOOOL...

(A COPA DA COZINHA É NOSSA!)

 

*Carlos Roberto de Souza

 

O mês de junho está chegando e com ele a grande expectativa: A Copa do Mundo de Futebol, eta!!!

O que me espanta é saber que durante os jogos, uma amnésia coletiva tomará conta do país. Até os índices de roubo e furto vão despencar, já que a malandragem patriótica estará – como todo cidadão – torcendo pelo nosso país.

Como dizia o escritor e jornalista Nelson Rodrigues: “O Brasil é a pátria de chuteiras”.

Antes da partida inicial, porém, o corre-corre e a euforia tomarão conta da cidade em proporções inimagináveis: o trânsito (que já era caótico) será a imagem surrealista do próprio marasmo; pacientes espalhados nos corredores de hospitais detentores de “ISO” aguardarão pacientemente a chegada de um médico.

O Congresso, o Senado, o Itamaraty, entre outras Instituições farão brindes regados a Moët Chandon. O (1.9.0) estará distribuindo a famosa evasiva: “Estamos atendendo uma ocorrência”…

A questão é: a Copa do Mundo faz milagres, ou o povo brasileiro é milagreiro? 

Creio que a primeira questão se encaixe nas entrelinhas, pois embora o povo não caminhe sobre as águas, ele se afunda nas enchentes;

Ele não multiplica os pães, contudo, sua fome é inesgotável;

Ele não tem um Judas à sua direita, mas traidores de colarinho branco;

Ele não foi visitado pelos reis magos, mas encontra em cada esquina mágicos capazes de fazer sumir um carro, uma carteira, uma motocicleta…

Por fim ele carregará a cruz que não será fincada no calvário, mas no morro onde o “pó branco” é a redenção.

... E a bola começa a rolar. Agora o bicho pega (ué, não pegou ainda?).

O lateral corre, dribla um, dois, três, cruza a bola com atitude. O centroavante corre até a área, mata a bola no peito e antes que ela toque o chão ele a chuta.

A respiração cessa, o coração dispara, o nó na garganta enforca; a bola cobre o goleiro, balança a rede...

Um grito uníssono de alegria é ouvido em todo país. Quem dera fosse um BASTA!

 

*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras.

 

 

 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

PRECONCEITO, FALSIDADE E CINISMO: BOM APETITE!




PRECONCEITO, FALSIDADE E CINISMO: BOM  APETITE!

Carlos Roberto de Souza (Agamenon Troyan)

O texto “Profusões” de Olga Caixeta é muito interessante. Sua observação é um alerta sobre o cinismo, preconceito e falsidade dos quais nos alimentamos todos os dias. Testemunhamos crianças perdendo sua fase pueril em meio a jogos de violência e jovens dizimando sua juventude em “baratos” cheios de overdoses.
Na música, o vulgar é sucesso garantido, enquanto que as de letras bem estruturadas caem em desuso cultural.
Nas telas, a barbárie (guerras, genocídios, violência urbana e familiar, entre tantos) é diversão garantida regada a pipoca, guaraná e vodca. Os pais – que ainda tentam em vão dialogar com seus filhos ou controlá-los – se perdem nos umbrais do tempo. Tudo hoje em dia é “careta”, ou será que essa gíria se perdeu também?
Encaramos tudo em caráter de negligência; não percebemos o quanto estamos envolvidos... Somos parte de um imenso tabuleiro cujas peças não se movem. Deixamos escapar uma lágrima por uma cena que nos toca, e negamo-la quando a realidade bate à nossa porta.
Como é possível discutirmos – em ângulos cinematográficos – enredos realísticos que abordam a pobreza, guerras religiosas, conflitos familiares quando a realidade está a um palmo dos nossos narizes? Tudo é cinismo!?
Aliás, venham todos: o preconceito, a falsidade  e o cinismo estão na mesa!!!
Bom Apetite...

*Editor e poeta, membro da Academia Machadense de Letras.

Foto: http://slayagain.blogspot.com.br/2010/09/tira-tua-mascara.html

PROFUSÕES (Olga Caixeta)



PROFUSÕES
(Olga Caixeta)

Todas as fraquezas e todas as misérias humanas vieram à tona e cobriram a tela da TV por um longo tempo e todos nós pudemos assistir, comparar, assumir em nossas vidas muitas passagens que, certamente, fizeram parte do cotidiano imprevisível que assombra os nossos melhores momentos.
Notamos durante muito tempo o quanto nos parecem longos os passos incertos que tiram nossos pés do chão, derrubam o nosso espírito e consomem nossos corações.
É até engraçado pensarmos que somos todos personagens de infinitas passagens, sem nos darmos conta do que estamos vivendo e, infinitas são também as vezes que fazemos comentários sobre o que assistimos sem percebermos a cumplicidade entre as situações.
Tudo é tão igual e algumas vezes o que é real supera o que se apresenta na tela.
Estou aqui falando da novela das nove “Amor à Vida” e dos seus últimos capítulos.
Depois de centenas de atropelos, traições, mortes, roubos, brigas, separações aconteceu o inesperado: o amor representando a única possibilidade de o ser humano ser feliz, sentir-se bem consigo mesmo e justificar a sua relação com os outros.
O que corre na net é o beijo dos homossexuais e pude ler comentários dizendo que “ até que enfim a televisão mostrou estar quebrando tabus e etc...”
Não quero me ater ao fato, mas àquilo que foi o fechamento: a cumplicidade entre pai e filho e o desvendamento do sentimento escondido e maltratado no coração dos personagens, César e Félix.
Se prestarmos atenção, no decorrer dos capítulos havia uma luta interior no personagem Félix, o filho, pelo fato de não ser reconhecido, não ser amado.

Tal fato fez dele uma criatura sórdida, má, inconsequente e, só depois de ter passado por situações mais difíceis também para ele, a questão econômica, e encontrado uma mão estendida, não para oferecer dinheiro, mas carinho, atenção, amor e que exigiu dele uma determinação de atitude refletida, foi capaz de mudar.
Mudou e mudou tanto que foi capaz de reconhecer suas fraquezas e entregar-se de vez à mostra de seus sentimentos.
O fato pode parecer bobo para muitos, mas para mim foi surpreendente. Exalou um certo ar de sublimidade que intimidou todas as outras passagens de desafetos e asperezas.
Li uma mensagem do Papa Francisco para o XXII Dia Mundial do Enfermo 2014 na qual ele diz: “ Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cura, levamos a esperança e o sorriso de Deus às contradições do mundo”.
Ele fala aqui da enfermidade do corpo e eu falei antes da enfermidade da alma. Todos nós sabemos que nenhuma das duas situações é melhor ou pior, mas é certo que tanto uma quanto a outra são dizimadoras do ser humano.
O final da novela foi providencial para falar de um assunto sobre que muita gente foge: coisas do coração que descontrolam sobremaneira nossos pensamentos e nossa força de ação.
De forma geral, quando o assunto é o próprio EU intimidamo-nos, pois o maior costume de todos nós é expor o Outro e escondermo-nos atrás de nós mesmos.
Achamos todas as lições de amor bonitas, mas não expomos a nossa ou nem nos damos conta de que poderíamos viver uma. A sensibilização acontece-nos e passa como um vento lá fora.
Sofremos por causas infinitas e guardamos a sete chaves toda a ira que corrói a nossa vida, pois acostumamo-nos ao espírito de vingança que nos traz a sensação de donos do poder.
Apesar de todos os escrachos que “Amor à Vida” deixou rolar por um bom tempo, o seu final garantiu-nos um tanto de emoção, algumas lágrimas e muitos comentários. Não importa que tenha sido sobre o beijo homossexual, já que ele é amor.
Se amar é em si mesmo um estado de leveza espiritual só ele, o amor, será capaz de lavar todas as manchas que encobrem o favorecimento de uma boa ação.
Falar de amor no facebook não é a mesma coisa que segurar as mãos de alguém, não é a mesma coisa que desvendar no nosso coração a força da vida.
Vivemos uma época difícil, sem muitas explicações ou respostas, uma época de relatividade sem mesmo entendermos bem seu significado, mas suponho que qualquer ser humano responderia para si mesmo sobre seus sentimentos.
O que eu realmente sinto quando sinto algo infinitamente forte brotar em mim e eu sei que posso responder com certeza: É Amor?
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*Olga Caixeta é professora de Português, poeta e membro da Academia Machadense de Letras


Foto fonte: http://veja.abril.com.br/blog/quanto-drama/tag/felix/page/3/